“Eu sei.”
“Você tem até as dez da manhã.”
Lucas assentiu uma vez.
Mas a verdade era que, em algum lugar no fundo de suas costelas, uma decisão já começava a se formar.
Parte 2
Lucas não foi para casa naquela noite.
Ele disse a si mesmo que era porque o escritório era mais perto da Torre Hawthorne, porque precisava revisar documentos, porque David ficaria até mais tarde de qualquer maneira.
A verdade era mais simples.
Ele não queria que Grace visse a decisão em seu rosto antes que ele mesmo a entendesse.
Às 19h12, seu telefone acendeu com uma chamada de vídeo.
Grace.
Lucas encarou a tela por dois toques antes de atender.
O rosto dela parecia muito perto da câmera, com olhos castanhos e um dente da frente faltando.
“Papai, a vovó disse que você está fazendo coisas de bilionário.”
Lucas sorriu involuntariamente. “A vovó diz muitas coisas.”
A voz de sua mãe veio de algum lugar atrás de Grace. “Eu ouvi isso.”
Grace deu uma risadinha. “Eles te deram o dinheiro?”
“Ainda não.”
“Eles são legais?”
Lucas olhou através da tela.
Lucas olhou para a parede de vidro do seu escritório no andar aberto lá embaixo. Fileiras de engenheiros ainda trabalhavam sob luzes suaves. Alguém havia deixado um moletom com capuz no encosto de uma cadeira. Outra pessoa havia colado um desenho infantil ao lado de um monitor. O Aperture à noite não se parecia em nada com a Torre Hawthorne. Parecia vivo.
"Eles são complicados", disse Lucas.
Grace fez uma careta. "Isso significa não."
"Significa complicado."
"Mamãe costumava dizer que quando os adultos usam palavras rebuscadas, estão escondendo palavras comuns."
Lucas fechou os olhos por um instante.
"Ela geralmente estava certa."
Grace baixou a voz. "Eles estão sendo malvados com você?"
Lucas recostou-se na cadeira.
Ele poderia ter mentido. Talvez outro pai tivesse mentido. Mas ele havia construído seu relacionamento com Grace com base em uma honestidade cuidadosa. Não uma honestidade adulta. Não uma crueldade disfarçada de verdade. Mas verdade suficiente para que ela soubesse que o mundo era real e ainda seguro com ele nele.
“Eles acham que eu não sou a pessoa certa para continuar administrando a empresa.”
O rosto de Grace mudou.
“Mas ela é sua.”
“Agora pertence a muita gente. A todos que trabalham aqui. A todos que confiaram em mim.”
“Mas você conseguiu.”
“Sim.”
“Então por que eles têm o direito de dizer isso?”
Lucas olhou para a lista de duas colunas em sua mesa.
Motivos para aceitar.
Motivos para sair.
Em “aceitar”, a lista era longa e prática.
Dinheiro para os primeiros funcionários.
Segurança para Grace.
Capital para expansão.
Corredor europeu.
Acesso político.
Credibilidade na imprensa.
Em “sair”, havia apenas quatro linhas.
Eles não respeitam a empresa.
Eles não respeitam a equipe.
Eles não me respeitam.
Grace vai se lembrar da minha escolha.
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
