—Então vamos lá, senhorita assistente.
Aquele primeiro jantar consistiu em feijão, pão de milho e um caldo simples que cheirava melhor do que deveria, considerando a escassez de ingredientes. Tomás entrou vindo do curral e parou por um instante na porta. Algo se mexeu em seu rosto, algo que ele não queria demonstrar.
Julian comeu em silêncio. Lupita olhou para o prato, depois para Amalia, e depois de volta para o prato, como se tivesse medo de que a comida desaparecesse se ela parasse de observá-la.
No meio do jantar, a garota disse:
—A senhora que costumava vir aqui queimava tudo.
"Lupita", murmurou Thomas.
Amália não levantou o olhar.
—Feijões queimados são um assunto sério. Não vamos levar isso na brincadeira.
Julian baixou a cabeça, mas Amalia percebeu que o canto de sua boca mal se moveu.
No dia seguinte, Tomás subiu o degrau da frente e parou. Não se movia mais. Alguém o havia fixado ao amanhecer com uma cunha de madeira e dois pregos.
Ele foi até a cozinha, serviu duas xícaras de café e deixou uma perto de Amalia.
Ele não disse obrigado.
Ela também não disse nada.
Foi assim que tudo começou.
Os dias encontraram seu ritmo. Amália lavava, cozinhava, remendava roupas, organizava a despensa e colocava flores silvestres em um pote quebrado que encontrou atrás do curral. Julián provou as flores no quinto dia, depois de descarregar a lenha que ela lhe havia pedido.
—Julian, a lenha — disse ele da cozinha.
-Agora mesmo.
—Não. Agora, por favor.
O menino olhou para ela, procurando por raiva, ameaça ou falsa doçura. Não encontrou nada. Apenas firmeza.
Ele se levantou e trouxe a lenha.
—Obrigada — disse ela.
Julian ficou imóvel por um instante, como se aquela palavra tivesse tocado uma parte dele que ele não sabia como defender.
Com Lupita era diferente. A menina se agarrava a Amalia como uma pequena sombra. Seguia-a para todo lado, perguntando sobre costura, sopas, botões, estrelas e as cicatrizes do mundo. Certa tarde, enquanto Amalia lhe lia uma história junto à lareira, Lupita repousou a cabeça em seu braço com tamanha confiança que Amalia precisou olhar pela janela para não chorar.
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