Quando a porta do tribunal se fechou, Amalia sentiu o ar entrar completamente em seu corpo pela primeira vez desde aquela quarta-feira na plataforma.
Mas a surpresa não tinha acabado.
O juiz ergueu outro pedaço de papel.
—Senhorita Robles, isto chegou para a senhora. Veio na caixa de correio e pensei em entregar mais tarde, mas talvez agora seja uma boa hora.
Era uma carta do centro de cuidados paliativos de Santa Clara.
Amália abriu cuidadosamente. A caligrafia era da Madre Superiora.
“Amalia: Antes de falecer, a Sra. Inés Valdivia deixou uma pequena quantia em nome das jovens que ajudavam a manter o asilo. Sua parte não é grande, mas é sua. Ela também escreveu que você sempre foi mais uma filha daquela casa do que uma funcionária. Se algum dia você encontrar um lar, não tenha dúvidas de que você o merece.”
Amalia teve que se sentar.
Não era uma fortuna, mas era o suficiente para pagar a Tomás o dinheiro que ele acabara de lhe dar. Suficiente para comprar tecido, sementes, uma vaca leiteira. Suficiente para não me sentir um fardo.
Tomás aproximou-se.
«Eu não precisei passar por isso sozinha», disse ela.
Amália olhou para ele. Viu o homem que atravessava a rua quando ninguém mais o fazia. O homem que deixava o café sem pedir agradecimento. O pai que sofria em silêncio e continuava a pôr a mesa para os filhos. O homem que acabara de doar suas economias, não para comprá-la, mas para deixar claro que ninguém mais poderia.
«Quero ficar», disse ela.
Tomás engoliu.
—Como governanta, você pode ficar o tempo que precisar.
Amália balançou a cabeça suavemente.
—Não. Quero ficar se vocês me quiserem como esposa. E se Julián e Lupita me aceitarem não como substituta, mas como alguém que também os ama.
Tomás respirava como se estivesse prendendo a respiração há anos.
—Eu a amo, Amalia. Mesmo antes de saber como dizer isso.
Julian, que havia entrado sem ser notado, falou da porta:
—Lupita já aceitou. Eu… eu também.
Amália se virou para ele.
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