— Conte comigo — disse ele.
Ele se ajoelhou ao lado da roda da minha cadeira, devagar e com cuidado, como se o chão pudesse quebrar. Uma mão pequena pousou sobre o topo do meu pé direito.
— Um — disse ele.
Mark bufou. Greg levantou a taça.
— Dois.
Meus dedos se fecharam na borda do mármore. Não sei por quê. Não havia nada para me apoiar. Nunca havia.
— Três.
Algo se moveu.
Meus dedos. Meus dedos se mexeram dentro do sapato polido. Um pequeno movimento lento, como o de um homem dormindo sendo puxado por um sonho.
Depois, meu pé se mexeu. Apenas um centímetro. Apenas o suficiente.
A taça de vinho de Greg parou no meio do caminho até a boca. O sorriso de Mark desapareceu como tinta molhada.
A três mesas de distância, um garfo caiu num prato. Eu ouvi claramente porque todo o café estava em silêncio.
— Daniel — sussurrou Mark. — Daniel, seu pé.
Eu não conseguia falar. Olhei para o garoto, depois para o sapato, depois para o garoto de novo. Seu rosto estava perfeitamente imóvel. Ele não estava surpreso. Ele sabia.
— Quem — comecei, e minha voz falhou. — Quem é você?
— Meu nome é Eli — disse ele.
Uma mão pousou no meu ombro por trás.
Eu não tinha ouvido passos. Não tinha ouvido cadeira sendo puxada. Mas a mão estava ali, firme, segura, como se estivesse esperando há 20 anos para tocar em mim.
— Senhor — disse uma voz feminina, suave e calma. — O senhor não se lembra de mim. Mas eu sei uma coisa com certeza: o seu médico tem mentido para o senhor.
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