Claro que sim.
Ella deixou o convite cair sobre o balcão como se tivesse queimado sua pele. Naquela noite, ela estava deitada no sofá, encarando o teto enquanto a chuva batia na janela. Marcy, sua melhor amiga e colega de quarto, observava da cozinha.
"Você devia ir."
Ella piscou. "Ir ao casamento dele?"
"Para mostrar a ele que você não é mais a mesma garota que ele deixou para trás."
Ella riu amargamente. "Eu sou a mesma garota. Só que com sapatos mais baratos."
Marcy se aproximou.
"Não. Você se reconstruiu. Você está mais forte agora. Você sobreviveu ao que ele nem conseguiu enfrentar. E você não vai sozinha."
Ella ergueu uma sobrancelha. "Certo. Vou chamar o Ryan Gosling no corredor."
Marcy sorriu de canto. "Nunca se sabe. O universo te deve alguma coisa."
O Hotel Wilshire Grand brilhava com opulência. Lustres de cristal iluminavam o saguão, e o mármore polido se estendia sob os saltos instáveis de Ella. Seu vestido azul claro delineava sua figura com modéstia. Seus cabelos dourados caíam sobre os ombros, uma pequena onda emoldurando seu rosto. Um toque de brilho rosado dava aos seus lábios um brilho delicado.
Ela viera sozinha.
Mas ela viera.
"Talvez eu finja estar perdida", sussurrou para si mesma. "Tome um drinque e desapareça."
Ao se virar para ir embora, esbarrou em alguém alto, firme e impecavelmente vestido com um terno cinza-escuro sob medida.
"Me desculpe", começou, dando um passo para trás.
As palavras morreram em sua garganta.
Diante dela estava Damian Hawthorne. O Damian Hawthorne. CEO da Hawthorne Ventures. Bilionário. Brilhante. Conhecido por ser frio, calculista e completamente inacessível.
Ela o vira antes, uma ou duas vezes, quando entregava café no arranha-céu onde sua empresa alugava os andares superiores. Nunca haviam trocado mais do que um aceno de mão cortês. Mesmo assim, ela se lembrava dele. Como ela poderia não gostar?
Naquela noite, ele estava exatamente igual: alto, imponente, com o olhar penetrante como cristal.
“Você trabalha no Diko Café”, disse ele, reconhecendo-a. Sua voz era suave e calma.
Ella corou. “Trabalho sim. Quer dizer, sim, ainda trabalho. Só que…”
Ela gesticulou vagamente em direção ao salão de baile atrás deles.
“Desculpe. Não devia ter esbarrado em você.”
Ele acenou educadamente com a cabeça, já se virando para passar.
Mas algo se quebrou dentro dela. A dor da traição de Charles, o peso de ser descartada, a vergonha de estar ali sozinha.
Ela se virou abruptamente.
“Espere.”
Damian parou.
Ela não tinha um plano. Apenas um apelo, cru e genuíno.
Sua voz falhou.
“Aja como se me amasse, por favor.”
Seguiu-se um silêncio longo e ensurdecedor.
Damian a observou. Suas mãos trêmulas. Seus olhos marejados de lágrimas. O desespero que fazia suas palavras escaparem como um sussurro.
Então, em silêncio, ele assentiu.
Sua voz era firme e serena.
“Venha comigo.”
Ele estendeu o braço.
Ella o encarou, atônita, e então olhou para ele. Aquele estranho, aquele gigante, estava lhe oferecendo algo que não lhe devia. Não havia piedade em sua expressão. Nem arrogância. Apenas algo firme, algo que ela ainda não compreendia.
Ela colocou a mão em seu braço e caminhou com ele para dentro da jaula dos leões.
O salão de baile cintilava com lustres de cristal e música suave. O aroma de rosas e champanhe pairava no ar. Damian caminhava ao lado de Ella, calmo e sereno, como se pertencesse àquele lugar, o que, de fato, era verdade.
Ella sentia cada passo como uma pedra no estômago.
Ela não havia imaginado
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