— Você não tem escolha, Linda — acrescentou. — A menos que queira destruir a família.
Isso não era uma tentativa de me tranquilizar. Era uma ameaça.
Não respondi. Virei-me e saí antes que minha voz me denunciasse.
Lá fora, o ar frio bateu no meu rosto. Respirei fundo antes de abrir a porta do carro. Emma se inclinou para frente.
— Mãe? Por que você está assim?
— Assim como? — perguntei rápido demais.
— Como se fosse chorar — disse Leo, baixinho.
— Não vou — menti. — Só vamos jantar na casa da tia Rachel.
Liguei o carro com mãos trêmulas e saí dirigindo.
E naquele instante, algo dentro de mim ficou absolutamente imóvel.
Eles acharam que eu não tinha escolha.
Estavam enganados — eu só não tinha mostrado minhas cartas ainda.
Não lembro de ter dirigido até a casa da Rachel. Lembro de apertar o volante com tanta força que meus dedos formigavam. Lembro das vozes das crianças se tornando apenas ruído de fundo. Emma falando sobre o jantar. Leo cantando baixinho para si mesmo.
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