— Não há nada para verificar — respondeu Marcus, revirando os olhos. — Saia da frente.
As portas se abriram atrás deles. Um homem alto, de terno azul-marinho impecável, saiu, os sapatos polidos ecoando na calçada.
Damien, o diretor da sala de concertos, observou a cena com expressão de quem já havia julgado tudo.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, lançando um olhar carregado de desprezo para Margaret.
Damien soltou uma risada curta e cortante, que se espalhou pela multidão. Ele gesticulou em direção a ela como se fosse uma curiosidade.
— Isso aqui não é um asilo — disse em voz alta. — Vá para casa, senhora.
Mais risadas seguiram. Algumas pessoas bateram palmas. Alguém assobiou.
Margaret permaneceu imóvel. O frio parecia penetrar ainda mais fundo em seus ossos, mas não era o vento que doía.
Era o som. Aquele riso fácil e descuidado. Ela já o tinha ouvido antes, anos atrás, quando Walter estava frágil e um jovem garçom de um restaurante fino o tratou como se fosse uma criança.
Naquela época, ela ficou em silêncio — porque Walter apertou sua mão e pediu que ela não reagisse.
— “Você também é surda?” disse Damien, sorrindo da própria piada. “Ande logo.”
Margaret ergueu os olhos para ele. Por um instante, seu olhar ficou firme, quase como se o estivesse avaliando.
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