"Oito anos", disse ela.
"Exatamente. Éramos jovens." “Eu tinha vinte e oito anos.”
Ele olhou em volta, ciente de que havia ouvidos atentos. “Talvez este não seja o lugar.”
“Você escolheu o lugar quando perguntou se eu ainda estava sozinha na frente de todos.”
Arvind recostou-se em silêncio. Ele não a interrompeu. Não a resgatou. Essa era uma das razões pelas quais ela o amara primeiro. Ele sabia a diferença entre estar ao lado de uma mulher e estar na frente dela.
Raghav baixou a voz. “Olha, peço desculpas se algo que eu disse soou rude.”
Ananya sorriu levemente. “Se?”
O rosto de Priya corou. “Ananya, Raghav está tentando ser gentil.”
“Não”, disse Ananya. “Ele está tentando se sentir seguro agora que meu marido lhe é útil.”
Aquela frase atingiu a mesa como um copo quebrado.
O sorriso de Raghav desapareceu.
Arvind finalmente falou. “O que o Sr. Malhotra precisa de mim?”
Raghav piscou. “Com licença?”
“Você está tentando falar comigo desde que entrei”, disse Arvind. “Você mencionou uma apresentação da empresa antes. Do que você precisa?”
Raghav parecia encurralado, mas a ambição o impulsionou. “Nossa empresa está expandindo para tecnologia de infraestrutura escolar. Estamos captando US$ 15 milhões. Eu adoraria apresentar a proposta ao seu fundo educacional.”
A mão de Ananya parou ao lado do prato.
Tecnologia de infraestrutura escolar.
Ela olhou para Arvind. Ele também havia ficado imóvel.
Raghav percebeu a imobilidade e a interpretou erroneamente como interesse. “Construímos relacionamentos sólidos em cidades de porte médio. Contratos com escolas públicas, parcerias com escolas particulares, instalações de salas de aula digitais. Isso se alinha perfeitamente com a missão educacional da Khanna Global.”
Arvind olhou para Ananya. “Você viu a apresentação?”
A expressão de Ananya era indecifrável. “Sim.”
Raghav congelou. “Vocês viram?”
“Ela preside o comitê de investimentos em educação”, disse Arvind.
O rosto de Raghav empalideceu.
Ananya abriu a carteira e pegou o celular. “Sua proposta chegou pelo nosso escritório em Delhi no mês passado. Malhotra Learning Systems. Solicitaram US$ 15 milhões em capital de crescimento. Alegaram implementação em 48 escolas em Haryana e Rajasthan.”
Raghav sentiu um nó na garganta.
Priya olhou entre eles. “Raghav?”
Ananya continuou, com a voz calma. “Rejeitamos a proposta na triagem inicial.”
Raghav se enrijeceu. “Isso deve ter sido um erro de algum analista júnior.”
“Não.”
Seus olhos brilharam. “Ananya, não leve isso para o lado pessoal.”
“Eu não levei. Foi por isso que rejeitamos a solicitação, com base na documentação, não no histórico.”
Arvind inclinou-se ligeiramente para a frente. “Que documentação?”
Ananya olhou diretamente para Raghav. “Números de usuários inflados, parcerias escolares não verificáveis, fornecedores não pagos e três administradores distritais que negaram ter assinado as cartas anexadas ao seu apêndice.”
A mesa irrompeu em sussurros.
O rosto de Raghav empalideceu.
“Isso é confidencial”, ele retrucou.
“Sim”, disse Ananya. “E eu teria mantido assim se você não tivesse vindo aqui esta noite tentando transformar uma antiga crueldade em um novo acesso.”
Priya sussurrou: “Raghav, do que ela está falando?”
“Nada”, ele respondeu rapidamente. “Ela está distorcendo as coisas.”
Os olhos de Ananya se moveram para o estômago de Priya, depois voltaram para o rosto dela. Sua voz suavizou um pouco. “Priya, eu não sei que versão de mim ele te deu. Mas eu sei como é estar ao lado dele enquanto ele chama outra mulher de instável.”
Priya pareceu abalada, apesar de si mesma.
Raghav bateu o copo na mesa com mais força do que o necessário. “Chega.”
Lá estava de novo.
A velha ordem.
Mas desta vez, Ananya não se sentia com vinte e oito anos.
Desta vez, ela não estava na cozinha da mãe dele segurando um roti queimado.
Desta vez, ela estava em uma mesa da frente com o homem que amava ao seu lado, seu próprio nome restaurado, seu próprio poder reconquistado e uma sala cheia de testemunhas que finalmente entenderam que a confiança de Raghav sempre dependeu do silêncio de outra pessoa.
Ananya ergueu o queixo. “Não, Raghav. Chega foi há oito anos.”
Ele se inclinou para frente, a voz baixa e ameaçadora. “Você acha que casar com ele te torna intocável?”
Arvind se levantou.
Ele se levantou lentamente, sem drama, mas metade da sala ficou em silêncio instantaneamente.
“Não”, disse Arvind. “Ela era intocável antes de mim. Eu só tive a sensibilidade de perceber isso.”
Raghav olhou para ele, com raiva e medo estampados no rosto.
O apresentador se aproximou apressadamente, pressentindo o desastre. “Está tudo bem?”
Ananya sorriu educadamente. “Ainda não.”
Então ela se virou e caminhou em direção ao palco.
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