Oito anos após o divórcio, ele riu ao ver que ela ainda estava sozinha — então o homem que ele mais temia a chamou de esposa.

As portas do salão de baile se abriram, e a primeira pessoa que o Sr. Arvind Khanna procurou foi Ananya.

Não o anfitrião.

Não o reitor.

Não os membros do conselho.

Não os empresários que se alinhavam na primeira fila com sorrisos famintos e cartões de visita dobrados já à espera nas mãos.

Arvind entrou vestindo um terno bandhgala preto, calmo como um homem que já havia entrado em salas muito mais poderosas do que aquela e nunca precisou levantar a voz para dominá-las. Flashes de câmeras dispararam. Conversas cessaram. Homens que riam alto demais de repente ajustaram a postura. Mulheres se inclinaram umas para as outras, sussurrando seu nome como se fosse uma manchete.

Raghav Malhotra se endireitou tão rápido que quase derramou seu champanhe.

“Lá está ele”, murmurou Raghav, com os olhos brilhando de oportunidade. “Arvind Khanna.”

Priya tocou seu braço. “Você o conhece?”

“Todo mundo o conhece”, sussurrou Raghav. “Se o fundo dele financiar nossa expansão, estaremos tranquilos pelos próximos cinco anos.” Ananya não se mexeu.

Ela simplesmente observou o marido atravessar a multidão.

Os olhos de Arvind encontraram os dela, e toda a sala pareceu se reduzir àquele único momento de silêncio. Seu semblante sério suavizou-se. O homem que parecera inabalável um segundo antes, de repente parecia humano, afetuoso e, secretamente, divertido, como se tivesse encontrado o lar no meio de uma sala cheia de estranhos.

Ele passou pelo anfitrião.

Passou pelo reitor.

Passou por três homens que se aproximaram para cumprimentá-lo.

Passou por Raghav, que já havia dado um passo à frente com um sorriso preparado.

Arvind parou diante de Ananya.

Por um instante, ninguém entendeu.

Então ele estendeu a mão.

"Ananya", disse ele suavemente. "Desculpe o atraso."

A sala ficou em silêncio.

Ananya colocou a mão na dele. "Trânsito?"

"Pior", disse Arvind, com um sorriso discreto nos lábios. “Doadores.”

Algumas pessoas riram hesitantes, não porque a piada fosse brilhante, mas porque homens importantes fazem palavras comuns soarem caras.

A expressão de Raghav mudou lentamente. Primeiro, confusão. Depois, descrença. Em seguida, algo mais sombrio quando Arvind ergueu a mão de Ananya e beijou seus nós dos dedos com uma familiaridade silenciosa.

O sorriso de Priya desapareceu.

O anfitrião, recuperando-se rapidamente, sorriu radiante do palco. “Senhoras e senhores, por favor, recebam o Sr. Arvind Khanna e sua esposa, Sra. Ananya Rao Khanna.”

Os aplausos começaram aos poucos.

Primeiro uma mesa.

Depois outra.

Depois, o salão inteiro.

Algumas pessoas aplaudiram porque estavam felizes. Algumas porque estavam chocadas. Muitas porque tinham medo de não aplaudir. Ananya permaneceu em meio ao som, sem baixar os olhos, sentindo oito anos de sussurros se voltarem contra ela e se sufocarem.

Raghav não aplaudiu.

Seu copo permaneceu congelado em sua mão.

Arvind lançou-lhe um olhar rápido, mas foi o suficiente. O reconhecimento cruzou seu rosto com a frieza e precisão de uma lâmina.

“Raghav Malhotra”, disse Arvind.

Raghav forçou um sorriso tão rápido que pareceu doloroso. “Sr. Khanna. Uma honra. Estávamos justamente falando do senhor.”

“Espero que sim.”

A frase era educada.

A advertência implícita, não.

Raghav engoliu em seco. “Claro.”

Arvind olhou de Raghav para Priya e depois de volta para Ananya. “Eles estavam lhe fazendo companhia?”

Ananya sorriu. “À sua maneira.”

O olhar de Arvind se tornou ligeiramente mais penetrante, pois ele conhecia aquele tom. Já o ouvira depois de reuniões difíceis, depois que investidores tentaram desconsiderar suas análises, depois que homens mais velhos a interromperam e ela os silenciou com uma frase calma. Era o tom que Ananya usava quando já havia sido insultada, mas decidira não derramar sangue em público.

Ele não perguntou mais nada. Ainda não.

O anfitrião anunciou que o jantar começaria após as palavras de abertura de Arvind. Os convidados se dirigiram às suas mesas em meio a uma onda de seda, perfume, sapatos lustrados e fofocas reacendidas. Mas agora todos os sussurros haviam mudado de direção.

"Ela é a esposa dele?"

"Desde quando?"

"Ananya se casou com Arvind Khanna?"

"Raghav estava zombando dela agora mesmo."

"Você viu a cara dele?"

Ananya ouviu o suficiente para saber que a sala estava fazendo o que salas como aquela sempre faziam. Mastigando. Só que desta vez, ela não era a refeição.

Arvind a guiou até a mesa da frente, sua mão repousando levemente na sua lombar. "Você está bem?"

"Sim."

Ele olhou para ela. "Isso não foi um sim."

Ela suspirou. "Ele perguntou se eu ainda estava sozinha."

A expressão de Arvind não mudou muito, mas Ananya sentiu a raiva na imobilidade de sua mão.

"E?"

"E Priya disse que minha vida depois dele foi um fracasso."

Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.