Olivia esperou.
"Eu penso muito naquele dia", disse ele. "Em como você quase desistiu. Em como eu quase ajudei a apagar tudo."
Olivia o encarou por um longo momento.
"Você não apagou nada."
"Eu poderia ter apagado."
"Sim", disse ela. "Você poderia ter apagado."
Ele assentiu, aceitando.
"Estou tentando melhorar."
"Eu sei."
Isso foi tudo o que ela lhe disse.
Foi o suficiente.
Do lado de fora do museu, a luz do fim da tarde inundava os degraus. O trânsito de Washington fluía em ondas constantes. Em algum lugar ao longe, uma sirene soou e se dissipou.
Olivia parou no topo da escada e olhou para o céu. O pai dela costumava fazer isso.
Ele ficava parado na janela da cozinha nas manhãs tranquilas de domingo, com uma xícara de café na mão, os olhos voltados para algo que ninguém mais conseguia ver. Quando criança, Olivia pensava que ele estava observando os pássaros, o tempo ou o bordo dos vizinhos.
Agora, ela se perguntava se ele não estaria colocando nomes no céu por alguns segundos antes de voltar para o café da manhã.
Robert parou ao lado dela.
"Você vai voltar para Norfolk?"
"Amanhã", ela respondeu. "Reservei um hotel para hoje."
"Ótimo."
Ela sorriu. "Sabe, ele teria odiado toda essa atenção."
Robert deu uma risadinha.
"Com certeza."
"Ele teria ficado lá atrás e dito que o microfone estava muito alto."
"E depois teria verificado o óleo do carro de todo mundo antes de ir embora."
Olivia riu, e dessa vez não doeu.
Pela primeira vez desde o funeral, a lembrança do pai chegou sem a esmagar. A arma simplesmente estava ao lado dela, silenciosa e familiar.
Como ele.
Ela tocou o velho relógio no pulso.
"Quase o joguei fora", disse ela.
"Mas você não jogou."
"Não sei por quê."
Robert olhou para ela.
"Talvez uma parte de você soubesse que ele ainda tinha algo a dizer."
Olivia olhou para trás, através das portas do museu. O rifle agora repousava sob o vidro, a salvo de sótãos, ferrugem, mãos descuidadas e jovens que confundiam danos com inutilidade.
A história de seu pai sobreviveria ao silêncio.
Assim como os três nomes gravados ao lado do dele.
Ela desceu os degraus lentamente.
Ao chegar ao final, parou, virou-se mais uma vez para o museu e imaginou Ray Carter parado ali, com sua velha jaqueta de trabalho, as mãos nos bolsos, constrangido com a comoção, fingindo que tinha poeira nos olhos.
Ela quase podia ouvi-lo.
Você está bem, Liv?
Ela inspirou.
E expirou.
"Sim, pai", sussurrou. "Estou bem."
E, pela primeira vez em muito tempo, ela estava falando sério.
FIM
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