O homem rico a abandonou quando mais precisava dela… E 18 anos depois, ele a encontrou vivendo na miséria.

«Então mande um advogado.»

«Eu consegui.»

«Mas você veio», disse ela.

Andrés assentiu.

«Eu precisava te ver.»

Camila colocou a mão na maçaneta, pronta para fechá-la.

«Dezoito anos depois.»

Ele engoliu em seco.

«Eu nunca recebi nada de você, Camila.»

A mão dela permaneceu imóvel.

«O que você disse?»

«Nada. Nem uma carta, nem um telefonema, nem uma mensagem. Achei que você não quisesse notícias minhas.»

Camila olhou para ele como se tivesse acabado de ouvir uma blasfêmia.

Por alguns segundos, ele não disse nada. Então, abriu um pouco mais a porta.

"Entre."

A casa era pequena, limpa, pobre. No centro do cômodo, estava a máquina de costura, cercada por tecidos, vestidos inacabados e blusas com alfinetes. Sobre a mesa, um caderno escolar, um copo de lápis e um envelope do hospital.

Andrés não perguntou sobre o envelope, mas Camila percebeu seu olhar.

"Minha filha tem um problema cardíaco", disse ele com uma calma que doía mais do que chorar. "Você precisa de uma cirurgia antes de completar dezessete anos."

"Quando é seu aniversário?"

"Daqui a quatro meses."

Andrés sentiu o ar ficar pesado.

Nesse instante, uma adolescente entrou, vestindo uniforme escolar e com uma mochila nas costas. Ela tinha os olhos de Camila e um olhar que não pedia permissão.

"Lucia", disse Camila, "este é André. Um conhecido de muitos anos atrás."

"A Lúcia", disse Camila, "este é André. Um conhecido de muitos anos atrás." Lúcia o cumprimentou com uma polidez fria e se trancou no quarto dos fundos.

"Seu pai?", perguntou Andrés, embora se arrependesse imediatamente.

Camila não baixou o olhar.

"Ele não ficou."

Essa resposta fechou uma porta.

Mas ele abriu outra.

Antes de sair, Camila lhe contou sobre Isabel, sua irmã. Ela morava a três quarteirões dali. Andrés foi visitá-la naquela mesma tarde.

Isabel Torres abriu o portão e o reconheceu antes mesmo que ele dissesse seu nome.

"Não", disse ele, e começou a fechar.

"Preciso entender o que aconteceu."

Isabel apertou a grade com força.

"O que aconteceu foi que você foi embora. Camila ficou sozinha. Meu pai perdeu a empresa. Ela trabalhou até adoecer. Lúcia nasceu sem ninguém mais na barriga."

quarto, mas eu. Isso aconteceu.

“Eu nunca soube de nada.”

“Porque você não quis.”

“Porque nada nunca chegou até mim.”

Isabel ficou imóvel.

“Ela escreveu para você”, disse ele finalmente. Cinquenta cartas em um ano. Eu mesmo as levei aos correios.

O sangue de Andrés gelou.

“Para onde você as enviou?”

“Para a construtora Villanueva.” Era o único endereço que eu tinha.

E então tudo se encaixou com uma precisão monstruosa.

Em 2006, toda a correspondência da construtora passou pelo departamento jurídico.

O mesmo departamento que Rafael Domínguez havia dirigido por dezoito anos.

Andrés ligou para Marcos, seu homem de confiança.

—Rastreie toda a correspondência recebida de Veracruz em 2006. Quero saber quem a recebeu.

A resposta veio naquela noite, em um quarto de hotel sem alma, enquanto Andrés assistia à televisão desligada. — As cartas chegaram — disse Marcos. Foram registradas pelo sistema judiciário.

Andrés fechou os olhos.

— Quem assinou o recebimento?

Houve um breve silêncio.

— Rafael Domínguez Vidal.

O sobrenome soou diferente.

— Vidal?

— Andrés… Rafael é filho de Héctor Domínguez Vidal. Ex-sócio do seu pai. Aquele que foi expulso da empresa há dezoito anos.

Andrés levantou-se lentamente.

Héctor Domínguez fora o sócio fundador de seu pai. Uma briga interna, conselhos manipulados e uma expulsão humilhante puseram fim àquela relação. Pouco depois, Héctor morreu de um ataque cardíaco. Andrés se lembrava vagamente do funeral: um menino ao fundo, com os olhos secos e uma raiva silenciosa.

Rafael.

O mesmo Rafael que anos depois se aproximou da família. O mesmo que fez Elena, a irmã de Andrés, se apaixonar. O mesmo que conquistou a confiança de Dom Ernesto. O mesmo que se sentava à mesa da família, brindava com eles no Natal e revisava cada documento importante da empresa.

“Tem mais”, disse Marcos. A empresa do pai de Camila não faliu por azar. O banco cancelou os empréstimos após uma avaliação de risco solicitada por uma empresa externa ligada a Villanueva. O contato interno era Rafael.

Andrés encostou a mão no vidro frio da janela.

Rafael não só o separara de Camila.

Ele destruíra sua família para punir os Villanueva.

Mas o pior ainda estava por vir.

No dia seguinte, em Guadalajara, Marcos colocou três pastas sobre a mesa.

Rafael vem preparando uma estrutura jurídica no Panamá há anos. Se conseguir transferir os principais ativos, poderá esvaziar a construtora em trinta dias.

“Trinta dias?”

—Menos, se já tiver algumas assinaturas.

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