Mesmo ao lado do seu caixão, o pensamento dele invadia minha mente, apertando minha garganta com dor e ressentimento. Daniel estava perto do primeiro púlpito, impecavelmente vestido com um terno preto, cada fio de cabelo no lugar, o rosto sereno numa expressão de nobre pesar. As pessoas continuavam a se aproximar dele, tocando sua manga, sussurrando condolências como se ele fosse quem tivesse sofrido a perda mais profunda.
O funeral da minha filha Laura foi o dia mais triste da minha vida.
A igreja estava lotada: colegas de trabalho, vizinhos, parentes distantes e estranhos cujos rostos ela mal reconhecia, todos reunidos para lamentar sua morte. Flores brancas e rosas enchiam o altar, seu doce perfume permeando o ar quente. Velas tremeluziam em altos candelabros de bronze, lançando uma luz tênue sobre as antigas paredes de pedra. Em algum lugar ao fundo, o órgão tocava um hino fúnebre lento que ela já ouvira vezes demais.
E, no entanto, em meio a todas aquelas pessoas, eu nunca me senti tão sozinho.
Eu estava a uma curta distância do caixão fechado, com as mãos pendendo inutilmente ao lado do corpo. Encarei a madeira polida como se, olhando com atenção suficiente, pudesse abri-lo e ouvir sua voz uma última vez. Apenas uma vez. Tempo suficiente para ele dizer: "Pai, está tudo bem. Estou bem. Houve um engano."
Mas os caixões não cometem erros, e a morte não negocia.
Laura era tudo para mim. Ela era a razão pela qual continuei seguindo em frente depois que tudo desmoronou. Quando a mãe dela morreu, a casa ficou vazia. Cada cômodo ecoava. A cama parecia larga demais e fria demais. Naquela primeira noite, observei minha filhinha chorar até dormir, seus ombrinhos tremendo sob o cobertor, e fiz uma promessa silenciosa — a ela e a qualquer força que estivesse ouvindo — de que a protegeria, não importando o preço.
E eu consegui.
Criei-a sozinha. No início, de forma desajeitada, depois com a profunda devoção que só um pai viúvo compreende. Trabalhei em dois empregos, às vezes três, para lhe dar todas as oportunidades. Aprendi a trançar seu cabelo horrível, estraguei mais jantares do que consigo contar e fiquei acordada até tarde ajudando-a com a lição de casa que eu mal entendia. No dia em que ela começou a faculdade, chorei sozinha na cozinha. No dia em que ela se formou, bati palmas até minhas palmas doerem e gritei seu nome até minha garganta doer.
Estive presente em todos os momentos importantes da vida dele.
E eu estava lá no dia em que ele me apresentou a Daniel.
Mesmo ao lado do seu caixão, o pensamento dele invadia minha mente, apertando minha garganta com dor e ressentimento. Daniel estava perto do primeiro banco, impecavelmente vestido com um terno preto, cada fio de cabelo no lugar, o rosto refletindo uma tristeza nobre. As pessoas se aproximavam, tocavam sua manga, apertavam sua mão, sussurrando condolências como se ele fosse quem tivesse sofrido a maior perda.
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