Sua voz havia perdido a calma polida do homem com a mala. Atrás dele, ouvi Brooke falando asperamente com alguém, e depois um recepcionista do hotel pedindo uma forma de pagamento válida.
“Bom dia, Daniel.”
“Meus cartões estão bloqueados. A conta da empresa está sob análise. Há documentos judiciais no meu escritório me acusando de fraude.”
“Isso parece sério.”
“Não brinque comigo, Claire.”
Encostei-me ao balcão e olhei para o bordo do lado de fora da janela. Do outro lado da rua, minha vizinha idosa, a Sra. Hart, abria a cortina da frente como fazia todas as manhãs. Ela morava ali desde antes de Daniel e eu comprarmos a casa. Ela trazia bolo de banana quando eu tinha enxaqueca, lembrava-se do meu aniversário e uma vez me disse que eu tinha os olhos da minha mãe com tanta ternura que chorei na despensa depois que ela foi embora.
“Você me disse que não assinaria nada”, eu disse. “Eu acreditei em você, então deixei o tribunal se pronunciar primeiro.”
Silêncio.
Então sua voz baixou.
“Quanto você sabe?”
Abri o arquivo mais recente de Morgan no meu laptop. O documento ligava a Harbor Finch Strategies a um representante autorizado cujo nome me fez sentir um frio na barriga maior do que o café que eu tinha na mão.
Morgan Hale.
Minha advogada. Minha amiga. A mulher que sabia de cada detalhe humilhante do meu casamento.
Antes que eu pudesse falar, alguém bateu na porta da frente.
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