—Eu tinha 11 anos. Meus pais tinham brigado naquela noite. Eu saí escondida com minha bicicleta só para me afastar um pouco. Estava voltando para casa quando ouvi… o acidente.
Ele olhou para baixo, como se estivesse revivendo tudo.
—Pedalei na direção do som — continuou. — E quando cheguei, o carro já estava danificado. Fumaça começava a subir. O outro carro envolvido parou por alguns segundos, mas logo partiu. Eu não pensei. Apenas larguei minha bicicleta e corri até o carro dos seus pais.
Apertei os braços da cadeira com força.
—Eu te vi no banco de trás. Você estava inconsciente. Abri a porta, tirei você de lá e te arrastei para longe do carro.
Minha garganta secou.
—Meus pais?
O maxilar de Daniel se apertou.
—Eu tentei. Voltei e puxei as portas deles, mas não abriram. Eu era muito pequeno. Não consegui tirá-los. O fogo estava aumentando. Tive que fazer uma escolha: ficar lá ou levar você para um lugar seguro.
O silêncio entre nós se prolongou.
Meus olhos ardiam de lágrimas.
—Levei você mais longe do acidente e da estrada, mas ainda onde fosse visível. Então corri.
—Por que não contou a ninguém?
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