“Você nem o conhece”, disse ela. “Você só conhece a mãe dele, e isso não é a mesma coisa.”
Liam puxou-a delicadamente pelo braço. "Liv, vamos. Vamos nos atrasar."
Ela olhou para mim uma última vez.
“Posso ter uma noite em que você confie em mim?”
“A confiança não é o problema.”
Ela me encarou, a mágoa se transformando em raiva.
“Com você, nunca acontece.”
Então ela desceu os degraus da varanda com Liam.
Essa foi a última vez que ouvi a voz da minha filha.
Às 23h47, o telefone tocou.
Quando vi o número da escola, minha mão começou a tremer.
“Camila?” disse o Sr. Thomas. “Você e John precisam vir para a escola agora mesmo.”
"O que aconteceu?"
Sua voz tremia. "É a Livia. Ela saiu e ninguém a viu desde então."
John já estava estendendo a mão para pegar as chaves do carro.
Mas o meu medo escolheu um nome antes que a verdade tivesse a chance de se revelar.
"Onde está Mitchell?", perguntei, exigindo uma resposta.
O Sr. Thomas hesitou. "Não sabemos se ele tem algo a ver com isso."
“Claro que sim.”
Quando chegamos, as decorações do baile de formatura ainda estavam penduradas nas portas do ginásio. Liam estava sentado do lado de fora da secretaria, de smoking, com a gravata borboleta frouxa e o rosto abatido.
Corri até ele.
“Onde ela está?”
Seus olhos se encheram de lágrimas. "Ela disse que precisava de ar. Pensei que ela voltaria logo."
“Você me prometeu que ficaríamos juntos.”
"Eu sei", ele sussurrou.
Então, fiz a única pergunta que queria que fosse respondida.
“Onde está Mitchell?”
Liam estremeceu.
Eu vi.
Mas eu interpretei mal.
O Sr. Thomas nos disse que a polícia havia sido chamada. A bolsa dela havia sumido. O celular estava desligado. Como ela tinha dezoito anos, havia a possibilidade de ela ter saído por vontade própria.
Agarrei-me aos detalhes que conseguia compreender.
A bolsa dela havia sumido.
O telefone dela estava desligado.
Mitchell também estava desaparecido.
Então, na minha cabeça, a história já estava escrita.
Ele a havia levado.
Na manhã seguinte, encontrei a mãe de Mitchell, Natalie, no estacionamento da escola conversando com um policial.
Avancei furiosamente em direção a ela.
“Onde seu filho levou minha filha?”
Natalie virou-se lentamente. Seu rosto estava pálido, mas sua voz era calma.
“Não sei onde eles estão.”
“Não minta para mim.”
“Eles se amam, Camila.”
Dei um passo à frente. "Não ouse dizer isso."
Liam agarrou meu braço. "Mãe, por favor."
Natalie olhou para ele com pena.
Isso só me deixou mais irritado.
“Minha filha se foi”, eu disse. “E sua família fez isso.”
Durante onze meses, vivi dentro dessa frase.
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