— Tem certeza de que está tudo bem? — tentei novamente, servindo seu cereal do jeito que fazia desde que ela tinha quatro anos.
— Pai, estou bem — respondeu. — Só estou nervosa.
— Você? Nervosa? Você fez um discurso para trezentas pessoas na oitava série sem nem piscar.
Ela sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.
— Desta vez é diferente.
Deixei para lá. Criá-la sozinho me ensinara quando insistir e quando recuar.
Ela sempre passava o braço pelo meu nos eventos da escola, desde quando era pequena demais e precisava de ajuda para enxergar o palco.
— Reserve um lugar na frente para mim — disse, beijando minha bochecha ao entrar no carro.
— Primeira fila, sempre. Você sabe disso.
A viagem até o estádio nos levou passando pela minha antiga escola, o mesmo prédio que Hailey agora frequentava.
Lembrei do zelador que costumava me cumprimentar com um aceno todas as manhãs naquela época. Um homem silencioso. Mesmo corredor. Mesma vassoura.
Ele ainda trabalhava lá. Eu o via nas reuniões de pais. Agora grisalho, mas com o mesmo aceno.
— Engraçado — disse olhando pelo retrovisor. — Algumas pessoas simplesmente ficam.
Estacionei e alisei a camisa mais uma vez.
Na minha mente, eu via o nome de Hailey sendo chamado, sua mão apoiada no meu braço, a caminhada orgulhosa até o palco.
Tranquei o carro e coloquei o programa da cerimônia no bolso, certo de que sabia exatamente como aquele dia terminaria.
Eu não fazia ideia de que ela carregava suas próprias instruções escondidas na manga.
O diretor aproximou-se do microfone, e sua voz ecoou pelo campo.
— Cada formando escolheu uma pessoa que o ajudou a chegar até aqui. Quando seu nome for chamado, caminhem juntos até o palco.
Endireitei a gravata. Eu havia ensaiado essa caminhada na minha cabeça durante anos.
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