Milionário em cadeira de rodas desconfiava de sua funcionária... até vê-la chorando ao lado de sua filha.

PARTE 2: Camila Torres entrou pela primeira vez na casa de Montero. Alejandro a observava da janela de seu escritório como um juiz observa uma acusada.
Ela tinha vinte e oito anos, os cabelos escuros presos em um coque simples, e carregava uma pequena bolsa onde guardava toda a sua vida.
A dona da casa, Marta, que trabalhava lá há mais de duas décadas, a cumprimentou com uma mistura de ternura e cautela.

"O Sr. Montero é rigoroso", disse ela.

"Ela não gosta que as pessoas a toquem, não gosta que falem demais e não gosta que se preocupem com ela."

Camila assentiu.

"Não venho aqui para me preocupar com ninguém." Marta a olhou com curiosidade.

"Então, no dia seguinte, Alejandro decidiu o contrário." Para ele, as pessoas mais perigosas eram justamente aquelas que pareciam inofensivas.

O primeiro sinal, segundo ele, ocorreu no terceiro dia.

"A primeira coisa que notou foi que, no terceiro dia, o Sr. Montero não estava certo." Ele entrou na biblioteca e a encontrou parada diante do retrato de Isabella, sua falecida esposa.

Camila não tocou em nada.

Ela simplesmente olhou para a pintura com uma expressão que não era mera curiosidade.

Era tristeza.

"Você não sente muita falta dela?"

Valentina assentiu.

"Papai diz que ela está no céu, mas acho que ela estava se escondendo porque estava cansada."

Camila não respondeu imediatamente.

Então, pegou uma flor caída e a colocou na mão da menina.

"Às vezes, as pessoas que morrem não se escondem.

Elas apenas nos deixam pequenos sinais para nos mostrar que ainda estão nos protegendo." Valentina olhou para ela como se tivesse ouvido um segredo.

Alejandro, à distância, cerrou os punhos na base da cadeira.

Ele não gostava dessa confiança.

Não gostava que alguém pudesse invadir tão facilmente o mundo tranquilo de sua filha. Naquela noite, ele instalou câmeras nos corredores.

Ele não contou para ninguém.

Durante os dias seguintes, Alejandro revisou obsessivamente as gravações.

Ele a viu limpando, organizando, preparando chás de ervas para Marta quando seus joelhos doíam.

Ele a viu colocar parte do jantar em uma sacola e escondê-la no quarto.

Isso confirmou suas suspeitas.

"Ela está roubando comida", disse ele ao seu advogado por telefone.

"Alejandro, se uma funcionária está pegando pão e caldo, talvez esteja com fome."

"As pessoas começam com pão e terminam com joias." — Nem todo mundo…

PARTE 3: Todos querem tirar algo de você.

Alejandro encerrou a conversa abruptamente.

Ele sabia melhor do que ninguém do que as pessoas eram capazes por dinheiro.

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