A maçaneta tremeu violentamente.
— Abra esta porta agora! — Sua voz havia perdido todo o polimento de advogado. — Você não tem ideia do que está se metendo!
Coloquei a caixa na velha mesa de carvalho de Graham e comecei a tirar tudo rapidamente.
— Alice! Estou avisando você!
— Saia da minha casa! — gritei de volta.
— Não é mais sua casa, lembra?
Isso soou como um tapa. Mas continuei cavando.
Minhas mãos tremiam enquanto eu levantava a última camada de fotografias. Debaixo delas havia um envelope manila plano, selado com cera vermelha. As iniciais de Graham estavam marcadas nele.
— Alice, esta é sua última chance — gritou Sterling pela porta. — Entregue o que está aí dentro e esquecerei que esta conversa aconteceu. Recuse, e você será removida desta propriedade até o pôr do sol.
Fiquei olhando para o envelope.
Por que um homem que não me deixou nada selaria algo com sua marca pessoal e esconderia sob fotografias da nossa vida juntos?
O que quer que estivesse dentro, Sterling estava apavorado. E eu estava prestes a descobrir o porquê.
Quebrei o selo de cera.
Alice,
Perdoe-me. Eu sabia que, quando o testamento fosse lido, você acreditaria que eu a abandonara após trinta e sete anos. Se pudesse poupá-la dessa dor, teria feito.
Não lhe deixei nada no papel porque precisava separá-la completamente do que está por vir.
Vá à minha mesa. Conte até a terceira gaveta à esquerda. Você encontrará um painel oculto. O que está sob ele contém a verdade que eu não pude colocar em um testamento.
E Alice? Eu te amei todos os dias da minha vida.
— Graham
Seguindo as instruções da carta, ajoelhei-me ao lado de sua mesa e contei até a terceira gaveta à esquerda.
Meus dedos percorreram a parte inferior até encontrar o fundo falso.
Eu o soltei, e o que vi fez o quarto inclinar-se de lado.
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