Nora entrou em contato.
O que poderia ter se tornado rivalidade transformou-se em aliança, pois ambas as mulheres compreenderam que o verdadeiro conflito nunca fora entre elas, mas sim entre a verdade e o homem que tentara reescrevê-la para sua conveniência. Juntas, elas documentaram cronologias, reuniram registros financeiros e garantiram que todos os aspectos do engano de Ethan fossem levados em consideração nos procedimentos subsequentes.
No final de uma tarde, algumas semanas depois, estavam sentadas uma de frente para a outra em um café tranquilo no centro da cidade, o ruído da cidade atenuado pela distância e pelo tempo. Suas gestações estavam mais avançadas, seus corpos carregando tanto o peso da nova vida quanto as sequelas do que haviam suportado.
“Como você está se sentindo?”, perguntou Nora gentilmente.
Clara ponderou a pergunta antes de responder.
“Mais forte do que eu esperava”, disse ela. “Dei o nome de Leo ao meu filho. Queria que ele trouxesse algo poderoso ao mundo desde o início.”
Nora deu um leve sorriso.
“É um bom nome”, disse ela. “A força importa.”
Clara assentiu com a cabeça.
“A honestidade também”, acrescentou ela. “Prefiro dizer-lhe uma verdade difícil do que uma mentira perfeita.”
Lá fora, a luz se encaminhava para o entardecer, a cidade se acomodando naquela transição tranquila entre o dia e a noite, e pela primeira vez desde o jardim, Clara sentiu algo próximo à paz.
Ela havia perdido um marido que, na verdade, nunca existiu.
Mas ela havia se encontrado.
E aquilo, ela percebeu, não era um fim.
Foi o início de uma vida construída sobre algo que não podia ser tirado.
O FIM
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