Seguiu-se uma respiração coletiva, sutil, mas inconfundível, e vários convidados instintivamente pegaram seus celulares, reflexo de uma cultura que documentava tudo, especialmente quando a verdade se apresentava de forma dramática demais para ser ignorada.
Clara piscou uma vez, depois outra, como se o mundo à sua frente estivesse desalinhado e ela precisasse de tempo para se reajustar.
“Isso não é possível”, disse ela, embora, mesmo enquanto falava, algo dentro dela já começasse a desmoronar. “Nós nos casamos aqui, nesta casa, há dois anos. Ele me disse—”
Sua voz falhou.
Nora não levantou a cabeça. Ela simplesmente continuou.
“Nos casamos há três anos em Boston”, disse ela. “Legalmente. Documentado. Registrado. Tudo ainda válido.”
Ela enfiou a mão na bolsa e tirou o celular, seus movimentos deliberados, controlados, quase clínicos em sua precisão.
“Há seis meses, comemoramos nosso aniversário”, acrescentou ela, virando a tela para fora para que os mais próximos pudessem ver. “Ele disse a vocês que estava viajando a trabalho. Ele me disse que faria o mesmo.”
Na tela, aparecia uma fotografia de Ethan e Nora ao lado de um pequeno bolo, sorrindo de uma forma inegavelmente íntima, inegavelmente real, com uma data que eliminava qualquer possibilidade de coincidência.
O silêncio que se seguiu já não era frágil.
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