Ethan se portava com a confiança natural de um advogado em ascensão, cuja reputação começava a se espalhar mais rápido que seu currículo; seu charme, aprimorado por vitórias nos tribunais e jantares com clientes, e sua voz, pausada com aquele cuidado que os homens desenvolvem ao perceberem o poder de persuasão que ela pode ter. De vez em quando, ele se inclinava para Clara, depositando um beijo suave em sua testa ou murmurando algo que a fazia sorrir, gestos que atraíam olhares de aprovação dos convidados, que viam neles a prova de que o amor, em sua forma mais ideal, ainda era possível.
"Fico imaginando o momento em que finalmente o conheceremos", sussurrou Ethan, com a mão repousando brevemente nas costas dela. "Acho que nunca desejei nada tanto quanto desejo segurar nosso filho nos braços."
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Seu tom era afetuoso, íntimo e totalmente convincente.
Ao redor deles, o riso fluía livremente, os copos tilintavam e os amigos trocavam histórias sobre a paternidade como se estivessem transmitindo bênçãos disfarçadas de conselhos. Para quem observasse, a cena representava o ideal americano em sua forma mais refinada: um casal bem-sucedido, uma bela casa e um filho a caminho, tudo sob uma luz solar que parecia merecida.
Clara acreditava completamente naquela imagem.
Ela não tinha ideia de quão perto esteve de desabar.
CAPÍTULO 2: A VOZ QUE NÃO PERTENCEA
A interrupção não veio com violência ou espetáculo. Veio, em vez disso, como uma mudança de ritmo, a perturbação sutil de passos se aproximando pelo caminho de pedra que atravessava o jardim lateral, seguida por uma única palavra que cortou o ar com a precisão de algo há muito reprimido.
“Ethan.”
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