Meu avô manteve um número de telefone escondido na carteira por mais de trinta anos — quando finalmente liguei para ele após sua morte, a voz do outro lado da linha me fez congelar

Guardei a fotografia de volta na carteira dele, do jeito que ele sempre a mantinha.

 

 

 

Simon teve alta três dias depois.

 

Eu o levei para casa no fim da tarde, e quase não conversamos no caminho. Ele perguntou uma vez se eu queria ligar o rádio.

 

Eu disse que não.

 

Ele assentiu e ficou olhando pela janela.

 

Éramos dois estranhos tentando descobrir como chamar um ao outro, mesmo estando ligados por sangue.

 

Quando parei em frente à casa dele, o galo de cerâmica ainda estava ao lado da porta, com a asa lascada. Simon ficou um momento parado na varanda antes de entrar, e eu o observei do carro — aquele homem que eu nunca tinha conhecido, mas que aparentemente tinha me observado de longe a vida inteira.

 

Simon se virou uma última vez antes de entrar.

 

— Obrigado por ter vindo, Amelia. Por tudo.

 

Eu assenti.

 

Ainda não tinha palavras.

 

Mas estava começando a encontrá-las.

 

Naquela noite, peguei meu telefone e disquei o número de memória.

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