Eu pensei que manter uma promessa seria a parte mais difícil da minha noite. Eu não fazia ideia de que entrar no baile me transformaria no centro das atenções pelos motivos errados.
O vestido cheirava a cedro e ao mais leve vestígio do perfume dela. Sentei-me na beira da minha cama dois meses após o funeral da vovó Ruth, o cetim rosa empoeirado se acumulando no meu colo como chá derramado.
Meus dedos percorreram os botões de pérola, um por um.
Ainda podia ver como ela parecia naquela tarde de fim de inverno, puxando o vestido do fundo do armário com mãos trêmulas.
Minha avó havia colocado o vestido sobre a cama como se fosse algo sagrado.
"Eu usei isso na noite em que seu avô me disse que me amava pela primeira vez," disse ela, alisando o cetim.
Seus olhos estavam molhados, mas firmes.
"Prometa que vai dançar mais uma vez com ele, Emma?"
Eu tinha prometido. Claro que eu iria, e não era porque não pudesse pagar outro vestido.
Minha mãe, Karen, bateu suavemente e entrou, segurando um pequeno kit de costura, mesmo que já tivéssemos terminado os ajustes uma semana antes. Havíamos consertado o zíper, encurtado a barra e limpado os botões de pérola.
Ela se sentou ao meu lado e passou a mão pela barra que havíamos encurtado juntas.
"O zíper está firme," disse ela. "E aqueles botões de pérola ficaram lindos depois que os deixei de molho."
"Você fez a maior parte, mãe."
"Fizemos juntas." Ela apertou meu joelho. "Sua avó teria adorado isso."
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