E então, encostada casualmente no lambril personalizado do arco da minha cozinha, estava Brooke Miller.
Brooke era diretora de arte júnior na empresa falida de Jason. Ela vestia um sobretudo vermelho vibrante e chamativo. Uma pequena etiqueta branca com código de barras ainda pendia visivelmente do punho da manga. Ela me olhou com a expressão presunçosa e arrogante de uma mulher que acreditava ter acabado de ganhar um prêmio milionário em uma loteria fraudulenta.
Jason não me cumprimentou. Não me ofereceu café. Estendeu a mão para o balcão de mármore e pegou um envelope grosso de papel pardo. Segurou-o em minha direção, e o ar no ambiente ficou pesado.
"Assine", ordenou.
Não assinei. Abaixei o olhar. Através da pequena janela retangular recortada no envelope, pude ver a tipografia em negrito e preta. Petição de Divórcio Absoluto. Já estava preenchida. Já estava datada. As cartas agressivas gritavam para mim, orgulhosas de sua própria crueldade.
“Você não serve para nada agora, Emily”, continuou Jason, com a voz desprovida de qualquer inflexão. Era uma fala plana, ensaiada. “Você fez exatamente o que servia para fazer. A dívida está quitada. Agora, suma daqui.”
Meus dedos permaneceram perfeitamente imóveis ao lado do corpo. Minha respiração não acelerou. Minha garganta não se fechou com o som da frase.
Lágrimas histéricas que elas claramente previam. Em vez disso, meus olhos se fixaram em uma pequena mancha marrom-escura de café que se formava no canto inferior direito do envelope. Jason tinha um tremor nervoso crônico sempre que mentia; ele sempre derramava café quando se sentia culpado.
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