Não era para falar de emergência.
Apenas um café.
Andrew chegou cedo e passou dez minutos do lado de fora do café, lembrando a si mesmo de não esperar nada. Mariana chegou usando um casaco verde, com os cabelos mais compridos e as bochechas coradas pelo frio. Ela sorriu ao vê-lo. Não o sorriso de antes. Não o sorriso de casado. Algo novo, cauteloso e genuíno.
Conversaram por duas horas.
Sobre livros.
Sobre trabalho.
Sobre as péssimas escolhas amorosas de Hannah.
Sobre o fato de Andrew ter adotado um gato idoso chamado Walter, que odiava todo mundo, menos ele.
Mariana riu quando ele mostrou uma foto.
O som os surpreendeu.
Andrew desviou o olhar rapidamente, dando espaço à foto.
Mariana percebeu.
"Obrigada", disse ela.
"Pelo quê?"
“Por não ter aproveitado o momento.”
Ele entendeu.
“De nada.”
Depois disso, o café se tornou mensal. Depois, o jantar. Depois, os passeios. Eles não se beijaram por mais um ano. A primeira vez aconteceu do lado de fora do apartamento de Mariana, depois de uma tempestade, sob a fraca luz amarela da marquise da entrada. Andrew a acompanhou até em casa depois do cinema. Ela estava falando sobre o final quando, de repente, parou.
“O quê?”, perguntou ele.
“Estou tentando decidir se quero te beijar ou se estou apenas sentimental.”
Ele congelou.
“Não tenha pressa.”
Ela riu. “Essa foi uma resposta típica de terapia.”
“Paguei caro por isso.”
Ela sorriu e se aproximou.
O beijo foi suave, quase triste, mas não de uma forma desesperançosa. Ele carregava a lembrança de tudo que havia sido quebrado e a frágil possibilidade de que algumas coisas pudessem florescer de forma diferente depois de serem cortadas. Quando Mariana se afastou, Andrew não a seguiu. Deixou-a respirar.
“Não sei o que isso significa”, disse ela.
“Nem eu.”
“Ótimo.”
“Ótimo?”
“Se você dissesse que sabia, eu fugiria.”
Ele sorriu. “Então eu não sei absolutamente nada.”
Ela riu novamente, e desta vez nenhum dos dois desviou o olhar.
Eles não se casaram de novo.
Não imediatamente.
Não porque o amor tivesse desaparecido, mas porque não acreditavam mais que a papelada pudesse substituir o cuidado diário. Namoraram devagar, com calma, com mais limites do que os romances costumam apresentar.Permitiram-se mais honestidade do que jamais haviam tido em seu casamento. Mantiveram apartamentos separados. Fizeram terapia de casal antes de se considerarem um casal. Falavam de Luca e June pelo nome. Visitavam a árvore memorial deles no Central Park todo mês de outubro.
Algumas pessoas os julgaram.
Hannah ficou cética por um ano inteiro. Sofia ameaçou Andrew durante o jantar com uma faca de manteiga e um sorriso. O Dr. Morris perguntou a Mariana se a reconciliação era um desejo ou um medo da solidão. O Dr. Ellis perguntou a Andrew se ele queria amar Mariana ou ser perdoado por ela. Essas perguntas eram difíceis.
Eles as responderam lentamente.
Quando Andrew pediu a Mariana para morar com ele novamente, cinco anos haviam se passado desde a ligação para o hospital.
Ele não a pediu em casamento.
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