Deborah se virou para mim. "Não finja surpresa."
"Estou surpresa," disse eu. "Arthur apenas me deu esta caixa. Ele me disse para abri-la após o funeral."
O advogado assentiu. "Arthur completou a transferência no mês passado. A escritura já foi registrada. Camille é legalmente dona da casa."
Alfred empurrou a cadeira para trás. "Vamos lutar contra isso."
"Você pode consultar outro advogado," disse o advogado. "Mas a transferência é válida."
Deborah apontou para mim. "Você o manipulou."
Olhei para ela então.
"Não. Eu fiquei com ele. Eu o alimentei. Eu o levei aos médicos. Eu ouvi quando ele sentiu falta da sua mãe. Nunca pedi que ele a apagasse."
Pela primeira vez, Deborah não teve resposta rápida.
Segurei a caixa contra meu peito. "Fiquem com a mansão," disse eu. "Eu nunca quis uma casa onde as pessoas ficassem na porta decidindo se eu pertencia."
Então saí antes que meus joelhos cedessem.
Em casa, sentei no chão do quarto com a caixa de Arthur entre meus joelhos.
"Ok," sussurrei. "Mostre-me o que quis dizer."
A primeira coisa dentro era uma fotografia.
Era eu na varanda da casa de Sophia, uma mão no corrimão, rosto voltado para o lago. Não lembrava Arthur tirando a foto.
No verso, ele escreveu:
"Este foi o primeiro lugar em que te vi parar de parecer pronta para ir embora."
Cobri a boca.
Debaixo estavam uma velha chave de latão, a cópia da escritura, um anel de ouro simples e duas cartas.
"Sophia," sussurrei, abrindo primeiro a carta dela.
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