Às 20h23, bem acima do centro de Chicago, dentro de uma torre de escritórios envidraçada com vista para o rio, Victoria Carter acabara de finalizar o maior negócio de sua carreira.

Parte 2:

A mesma mulher que chorou durante a entrevista, dizendo que precisava desesperadamente de um emprego porque seu pai estava doente.
A mesma mulher que Victoria protegeu quando o RH questionou suas qualificações.
A mesma mulher agora vestia um vestido branco, com uma das mãos dramaticamente apoiada na barriga enquanto Sebastian beijava sua mão na frente de todos.
A legenda do vídeo dizia:
“Finalmente, meu filho encontrou uma mulher DE VERDADE. Jovem, doce, fértil e pronta para lhe dar a família que ele merece.”
Victoria leu de novo.
E de novo.
Ela não chorou.
Ela não gritou.
Algo dentro dela simplesmente ficou frio e vazio, como se uma lâmina tivesse sido silenciosamente enfiada entre suas costelas.
Toda a família de Sebastian estava lá.

Ela tinha quarenta anos, estava exausta, descalça debaixo da mesa e funcionava à base de café frio e pura adrenalina. Enquanto o resto da cidade ia para casa jantar, Victoria permanecia sob as luzes brilhantes da sala de conferências, conferindo assinaturas, linguagem jurídica e projeções financeiras.

O marido dela, Sebastian Hayes, deveria estar em Miami participando de uma “conferência de investidores imobiliários”.

Foi isso que ele lhe disse.

Naquela manhã, ele chegou a enviar uma mensagem de voz.

“Não trabalhe demais, querida. Estarei em casa no domingo. Te amo.”

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