Após meses fora a serviço, voltei para casa esperando o abraço da minha esposa, mas ela se encolheu ao meu toque como se eu fosse um estranho. Uma noite, levantei o cobertor, procurando por provas de que ela havia me traído, e paralisei ao ver os hematomas que cobriam seu corpo.

Ricardo deu uma risadinha. "A solidão pode fazer coisas estranhas com as mulheres."

Elena baixou o olhar.

Naquela noite, ela dormiu bem na beirada da cama, enrolada bem no cobertor, com o corpo virado para o lado oposto ao meu. Quando estendi a mão para tocar a dela, ela se afastou com tanta força que algo dentro de mim se quebrou.

"Você está saindo com alguém?", perguntei, me odiando no instante em que as palavras saíram da minha boca.

Seu rosto se contorceu, mas ela não respondeu.

No dia seguinte, encontrei mensagens apagadas no celular antigo dela. Transferências de dinheiro. Consultas com advogados. Uma foto de um documento assinado com uma assinatura trêmula. Meu nome também estava lá, mas eu não havia assinado nada.

A casa da família.

Meus investimentos.

A pequena empresa que Elena e eu tínhamos construído antes de eu me alistar.

Tudo havia sido transferido para uma empresa de fachada controlada por Ricardo.

Naquela noite, levantei o cobertor, procurando por provas de traição.

Em vez disso, encontrei hematomas escuros em suas costelas, marcas em forma de dedos em seus braços e feridas em processo de cicatrização ao longo de suas costas.

O ar saiu dos meus pulmões.

"Quem fez isso com você?", sussurrei.

Suas lágrimas caíram silenciosamente.

“Sua mãe e seu irmão me obrigaram a transferir tudo.”

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