Algumas pessoas se alegraram.
Ela foi tratada com descaso. Outros balançaram a cabeça em sinal de arrependimento.
Mas Goi não pensava mais no passado. Ela alimentava bebês no meio da noite, beijava testas pequeninas e sorria para as mãozinhas que se enrolavam em seu dedo.
Suas cicatrizes ainda estavam lá, mas sua vida havia mudado.
Ela não era mais a mulher quebrada que chorava sozinha na rua.
Ela era mãe.
Ela estava completa.
Ela estava livre.
Enquanto isso, a vida de Chik havia tomado um rumo diferente.
Ele tinha mais dinheiro do que nunca, mas ainda não tinha filhos.
Depois de se divorciar de Goi, ele presumiu que a vida seguiria em frente facilmente. Acreditava que, assim que encontrasse outra mulher, tudo se encaixaria. Mas não foi o que aconteceu. Ele namorou várias mulheres. Nenhuma engravidou. Uma delas até o deixou, dizendo que não conseguia viver em uma casa onde sua mãe tratava as mulheres como máquinas de fazer bebês.
Mesmo assim, Chik se recusava a olhar para dentro de si.
Então ele conheceu Adora, uma mulher glamorosa e confiante de Lagos. Ela era rica, linda, elegante e ousada. Chik se sentiu imediatamente atraído por ela. Ele a mimava, a exibia para todos os lados e, em poucas semanas, o relacionamento deles se tornou o assunto da cidade.
Logo ele a pediu em casamento.
Os planos para o casamento eram grandiosos, extravagantes e caros. Chik queria que a cidade inteira falasse sobre ele. Queria exibir o sucesso. Queria admiração.
E, no fundo, queria que Goi visse isso.
Então, certa tarde, enquanto revisava a lista de convidados, pegou uma caneta e acrescentou o nome dela.
“Mande um convite para ela”, disse. “Primeira fila.”
Sua assessora pareceu surpresa. “Sua ex-esposa?”
Ele apenas sorriu friamente. “Quero que ela veja.”
Ele pensou que Goi chegaria envergonhada. Pensou que ela se sentaria lá e o veria seguir em frente, com arrependimento queimando dentro dela.
Ele não fazia ideia.
Quando o convite chegou, Amaka ficou furiosa.
“Que tipo de insulto é esse?” perguntou ela. “Ele está louco?”
Goi segurou o convite dourado em silêncio. “Ele quer que eu me sinta inferior”, disse ela.
“Então devemos ignorá-lo.”
Goi observou o som do seu sono. “Mas e se mostrarmos a verdade a ele?”
Amaka franziu a testa. “Que verdade?”
“Que eu nunca fui o problema. Que a mulher que ele pensava estar quebrada é inteira.”
Amaka olhou para ela. “Você quer ir?”
Perguntou Goi.
“Com os meninos?”
Outro aceno de cabeça.
Então, lentamente, a expressão de Amaka se transformou em um sorriso. “Aquele homem vai desmaiar.”
Elas planejaram tudo cuidadosamente. Goi escolheu um longo vestido amarelo que a fazia parecer pacífica e poderosa. Os meninos ganharam roupas combinando. Amaka providenciou um Rolls-Royce preto. Elas ensaiaram como as crianças caminhariam ao lado dela.
Na noite anterior ao casamento, Goi sentou-se junto à janela segurando o convite enquanto Emma estava atrás dela com as mãos em seus ombros.
“Você não precisa fazer isso”, disse ele gentilmente.
“Eu quero”, respondeu ela. “Não para provar nada a ele. Para me lembrar de que sobrevivi e ainda estou de pé.”
Emma beijou sua bochecha. “Qualquer que seja sua decisão, estarei com você.”
Na manhã seguinte, a cidade fervilhava de animação. O casamento estava em todos os lugares — online, no rádio, em todas as conversas.
O local era magnífico. Um tapete vermelho estendia-se até a entrada. As câmeras disparavam flashes sem parar. Os convidados chegavam ostentando riqueza. Políticos, empresários, socialites — todos compareciam.
Lá dentro, Adora estava de pé, vestida de branco e diamantes, preparando-se para caminhar até o altar. Chik, vestido com um agbada branco bordado com ouro, estava à frente, inquieto. Ele não parava de olhar para a entrada.
Então aconteceu.
Um Rolls-Royce preto parou.
A porta traseira se abriu.
Goi saiu.
Ela vestia amarelo como a luz do sol. Calma. Elegante. Inabalável.
E ao lado dela, três garotinhos vestidos como príncipes.
O salão ficou em silêncio.
Os convidados se dispersaram. Celulares voaram pelo ar.
“Essa é a ex-esposa do Chik?”
“Ela tem filhos!”
“Trigêmeos?”
Os sussurros se espalharam como fogo.
Chik desceu do altar incrédulo. Sua boca secou. Suas mãos tremiam.
“Diga que estou sonhando”, sussurrou para seu amigo Kunnel.
Kunnel piscou. “Cara… ela tem filhos.”
Goi caminhou graciosamente para a frente, segurando as mãos dos meninos. A multidão se abriu para ela. Ela se sentou no lugar da primeira fila que Chik havia reservado para ela.
Não como uma mulher humilhada.
Como a prova viva.
Adora entrou momentos depois e imediatamente notou o silêncio. Ela seguiu o olhar de todos e então se virou para Chik.
“Quem é aquela mulher?”
Chik engoliu em seco. “É a Goi.”
“Sua ex-esposa?”
Ele disse.
“E aquelas crianças?”
Ele não disse nada.
A expressão de Adora mudou. “Chik… aqueles são os filhos dela?”
Mesmo assim, ele não conseguiu responder.
O pastor pigarreou sem jeito. “Podemos começar?”
Mas Adora não estava mais olhando para o pastor. Ela estava olhando para Chik.
“Você me disse que ela era estéril.”
“Eu pensei que fosse”, ele gaguejou.
“Você pensou?” A voz de Adora se elevou. “Você me disse que foi por isso que a deixou. Disse que ela não podia te dar filhos.”
“Eu acreditei nisso—”
“Você acreditou? Você chegou a fazer o teste?”
Ele não disse nada.
Adora olhou para ele horrorizada. "Você nunca me mostrou nenhum resultado. Você nunca concordou em fazer o teste."
Ele enxugou o suor da testa. "Podemos conversar sobre isso mais tarde?"
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