Ela ficou nervosa o tempo todo.
E se Chik estivesse certo?
E se ela fosse mesmo o problema?
Dois dias depois, os resultados chegaram.
Goi sentou-se em frente ao médico com as palmas das mãos suadas. O Dr. Uche ajeitou os óculos e sorriu gentilmente.
“Senhora, tudo parece bem. Seu sistema reprodutivo está saudável. Você está ovulando normalmente. Seus níveis hormonais estão normais. Não há absolutamente nada de errado com você.”
Goi piscou. “Nada?”
“Nada”, repetiu o médico. “Se não houve gravidez por sete anos, eu aconselharia que seu ex-marido fizesse o teste. Pelo que vejo, você está completamente bem.”
Goi cobriu a boca com a mão e caiu em prantos.
Amaka pulou da cadeira. “Eu sabia! Eu sabia! Aquele homem mentiu para você, Goi. Ele te culpou por encobrir a própria vergonha.”
Goi sentiu o mundo girar ao seu redor. “Então, todo esse tempo… eu não era o problema?”
A Dra. Uche sorriu gentilmente. “Você nunca foi o problema. E quando encontrar o homem certo, acredito que terá seus próprios filhos. Não deixe que o que aconteceu roube sua paz.”
Do lado de fora do hospital, Goi sentou-se em um banco, tremendo com a verdade.
“Durante todos esses anos”, sussurrou ela, “implorei a Deus. Chorei todas as noites. Me odiava. E eu não era a pessoa certa.”
Amaka segurou sua mão. “Um dia, Chik olhará para você e desejará nunca tê-la deixado ir.”
Goi olhou para o céu. “Talvez este seja o começo da minha cura.”
E foi.
Nas semanas seguintes, Goi começou a ajudar Amaka com seu negócio de costura. Ela ainda não era completamente ela mesma, mas não estava mais perdida. Começou a acordar cedo novamente, a comer pequenas refeições e, às vezes, até a rir.
Uma noite, ela disse a Amaka: “Quero começar algo. Talvez um pequeno negócio de comida. Sempre adorei cozinhar.”
Amaka sorriu amplamente. “Sim. É isso aí. Eu vou te ajudar. Vamos lá.”
Elas usaram a pequena varanda para montar uma barraquinha de comida. Todas as manhãs, Goi cozinhava arroz, feijão, moi-moi e sopa. Às sete horas, os trabalhadores dos escritórios próximos já faziam fila. Logo, as pessoas começaram a reconhecê-la novamente — não como a mulher de quem Chik se divorciou, mas como a mulher que fazia o melhor jollof da região.
Certa tarde, uma cliente sorriu para ela e disse: “Senhora, a senhora está diferente. Há um brilho em seu rosto.”
Goi sorriu suavemente. “Talvez eu finalmente esteja livre.”
Ainda assim, a cura não foi fácil. Havia noites em que a dor retornava.
Uma noite, enquanto dobrava aventais, ela se virou para Amaka. “Você acha que ele alguma vez me amou?”
Amaka olhou para ela atentamente. “Acho que ele se amava mais. É a única coisa de que tenho certeza.”
Goi disse: “Só queria não ter desperdiçado tantos anos.”
“Você não desperdiçou nada”, disse Amaka. “Você cresceu. Você se tornou mais forte. E um dia, Deus lhe dará mais do que você perdeu.”
Goi não disse nada, mas em algum lugar profundo dentro dele, uma pequena chama começou a arder. Uma força silenciosa.
Numa tarde de domingo, Amaka voltou da igreja com notícias.
“Vi a prima do Chik hoje”, disse ela. “O Chik está se preparando para casar de novo. Uma moça extravagante de Lagos.”
O coração de Goi parou por um instante. “Ah.”
“Ele também vai convidar seus antigos amigos. Ele quer que as pessoas vejam o que ele chama de uma esposa de verdade.”
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