Evie estava sentada à mesa com o pato em uma mão e um giz de cera na outra, cantando junto com a mãe. Ela olhou para mim, inclinou a cabeça e sorriu.
"Papai, faz com que ela tenha asas de verdade!"
"Eu jamais iria te desapontar, princesa," eu disse, batendo na perna para acordar as terminações nervosas antes de me dirigir à porta. "Eu volto logo."
Parecia normal e familiar, ordinário de uma maneira boa, como coisas boas costumam ser, logo antes de tudo desmoronar.
O shopping estava mais barulhento do que o normal, mas aos sábados sempre é assim. Estacionei mais longe do que queria. As vagas mais próximas já estavam todas ocupadas, então caminhei pela multidão, transferindo o peso para minha perna protética.
Ela já começava a me machucar atrás do joelho de novo.
Enquanto esperava na fila com a boneca debaixo do braço, me peguei encarando uma vitrine de mochilas infantis, todas com zíperes coloridos e animais de desenhos animados. Algo naquele momento, a espera e a dor no meu membro, fez minha mente voltar no tempo.
Eu tinha 25 anos quando aconteceu. Era minha segunda missão com o exército. Um momento eu estava caminhando por uma estrada de terra em uma vila rural com a equipe, no momento seguinte, havia fogo, calor e o som do metal rasgando o mundo.
Me contaram depois que o médico quase me perdeu no meio da poeira e do sangue.
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