Por 15 anos, nossa madrasta fez minha irmã gêmea e eu acreditarmos que nossa mãe nos abandonou — até que, um dia, eu acidentalmente ouvi a verdade chocante

Olhei para as flores na minha mão. Depois olhei para a porta da cozinha, onde a sombra de Jean se movia pelo chão, cantarolando para si mesma.

 

E percebi, com uma calma assustadora, que aquele não seria o Dia das Mães que ela esperava.

 

Minhas pernas quase cederam, mas eu as obriguei a se mover.

 

Entrei na cozinha com o sorriso mais brilhante que consegui fingir.

 

“Feliz Dia das Mães, Jean!”

 

Ela se virou, assustada. Por meio segundo, o rosto dela vacilou — depois voltou ao normal, quente e acolhedor.

 

“Oh, querida! Não te ouvi chegar.”

 

“A porta estava destrancada. Trouxe suas flores favoritas. Da Lily e de mim.”

 

Ela pegou o buquê das minhas mãos.

 

“Onde está a Lily? Ela deveria estar aqui.”

 

“Ela está em dois turnos e não conseguiu vir. Mandou um beijo e disse que vai compensar depois.”

 

“Hm… tudo bem. Senta, senta. Seu pai já vai chegar e a quiche está quase pronta.”

 

“Na verdade, posso usar o banheiro primeiro?”

 

“Claro, querida. Você sabe onde é.”

 

Caminhei pelo corredor devagar, como se nada dentro de mim estivesse se quebrando. Passei pelo banheiro. Continuei andando.

 

Anos atrás, Jean tinha declarado o armário do corredor como proibido. Disse que guardava coisas pessoais ali, mas eu suspeitava que era lá que eu encontraria as cartas da mamãe.

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