O medo lhe dizia que era melhor assim.
Jada, enquanto isso, aprendeu a sobreviver ao tipo de sofrimento que não lhe dava tempo para se despedaçar.
Na manhã seguinte à rejeição de Roger, ela ligou para o trabalho dizendo que estava doente, sentou-se no chão do banheiro do seu apartamento e pressionou as duas mãos sobre a barriga.
Sua mãe, Denise, bateu suavemente na porta.
"Filha?"
Jada enxugou as lágrimas. "Estou bem."
“Nenhuma mulher chorando no chão está bem.”
Isso quase fez Jada rir. Em vez disso, ela abriu a porta.
Denise estava magra por causa de anos de doença, envolta em um roupão azul, seus olhos ainda penetrantes com a preocupação materna.
“Ele não reagiu bem”, disse Jada.
O rosto de Denise se contraiu. “Ele te ameaçou?”
“Não.”
“Ele ofereceu dinheiro para que isso desaparecesse?”
“Não.”
“O que ele disse?”
Jada olhou para baixo.
Denise entendeu antes mesmo de ouvir as palavras.
“Oh, querida.”
Foi então que Jada chorou de verdade.
Não porque Roger tivesse recusado o casamento. Ela não queria um anel jogado nela como uma tentativa de minimizar os danos. Ela chorou porque, por um frágil instante, acreditou que ele era mais corajoso do que o mundo que o criou.
Mas acreditar errado não impediu a vida.
Jada voltou ao trabalho. Sorriu para os clientes. Atendeu o telefone. Ela frequentou as aulas até que os enjoos matinais tornaram as aulas noturnas impossíveis.
Ela disse ao gerente que precisava de ajustes na escala de trabalho e explicou apenas o necessário.
Os rumores chegaram ao hotel eventualmente.
Alguns funcionários cochichavam. Alguns a olhavam com pena. Alguns com julgamento.
Jada manteve a cabeça erguida.
Ela se recusava a se tornar um escândalo em sua própria vida.
Nas consultas médicas, ela se sentava sozinha sob luzes fluorescentes enquanto os casais ao seu redor comparavam as imagens do ultrassom. Ela preenchia formulários, fazia perguntas práticas e aprendia quais vitaminas precisava. Quando a enfermeira pediu informações de contato de emergência, Jada hesitou.
Então, ela escreveu o nome da mãe.
Não o de Roger.
O segundo mês se tornou o terceiro. O terceiro mês se tornou o quarto.
Roger sabia as datas sem admitir que estava contando.
Sua assistente, Claire, foi a primeira a notar a mudança.
Ele não tomava mais decisões com a mesma rapidez e precisão. Ele fazia pausas em momentos estranhos. Pediu relatórios duas vezes. Ficou olhando pela janela durante as ligações.
Uma noite, depois que todos já tinham ido embora, Claire ficou parada na porta do escritório dele. “Posso falar abertamente?”
Roger ergueu o olhar. “Você sempre escolhe com bastante cuidado.”
“Não é a mesma coisa.”
Ele recostou-se. “Pode falar.”
“Você está trabalhando como um homem tentando fugir de algo. Na minha experiência, isso raramente funciona.”
A expressão de Roger endureceu. “Minha vida pessoal não faz parte da sua descrição de cargo.”
“Não”, disse Claire. “Mas observar você se autodestruir lentamente se tornou parte do meu dia de trabalho.”
Qualquer outra pessoa teria sido demitida.
Claire trabalhava com ele há sete anos.
Roger desviou o olhar.
“Ela fez a escolha dela”, disse ele.
A voz de Claire suavizou. “Será?”
Ele não respondeu.
Porque a verdade era pior.
Jada havia feito a única escolha que restava depois da dele.
No sexto mês, Roger viu uma foto online.
Não era de um site de fofocas. Era apenas a página de uma faculdade comunitária local que celebrava os estudantes trabalhadores. Jada posou com três colegas de classe, uma mão na barriga, sorrindo suavemente. A legenda dizia que ela havia concluído mais um semestre enquanto trabalhava em tempo integral.
Roger encarou a imagem por mais tempo do que deveria.
Ela parecia cansada.
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