O garçom tropeçou.
Sua bandeja de copos vazios caiu com um estrondo seco e nauseante.
Uma onda de suspiros e murmúrios irritados percorreu a sala. O rosto do menino empalideceu, depois ficou vermelho como um tomate. Ele se ajoelhou, tateando os cacos de vidro maiores, com as mãos trêmulas.
Vi a gerente do local começar a se mover em direção a ele, com o rosto estampado numa expressão de fúria educada.
Eu conhecia aquele olhar.
Eu já tinha visto isso acontecer com capatazes prestes a demitir um garoto por um erro bobo.
Sem pensar, levantei-me e caminhei até lá.
Ajoelhei-me ao lado do menino, embora meus joelhos, já cansados, protestassem.
“Calma, filho”, eu disse, mantendo a voz baixa. “Vamos pegar as peças maiores primeiro. Não use as mãos.”
Peguei um guardanapo de linho de uma mesa próxima, dobrei-o bem apertado e comecei a juntar cuidadosamente os pedaços maiores.
O menino olhou para mim, com os olhos arregalados numa mistura de terror e gratidão.
"Obrigado, senhor", ele sussurrou. "Sinto muito."
"Acidentes acontecem", eu disse. "Respire fundo. É só vidro."
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