— Graham sabia — disse baixinho. — Ele sabia de tudo. É por isso que eu não recebi nada no testamento. Você não pode tomar o que nunca foi meu.
— Mulher estúpida — ele sibilou. — Você não tem ideia do que está segurando. Me entregue esse arquivo e eu farei você sair com alguma coisa.
Segurei o livro contábil mais firme contra o peito.
— Não tenho medo de você.
— Deveria ter — disse ele, se aproximando. — Graham não está aqui para protegê-la mais.
Uma sirene soou na entrada.
A cor desapareceu do rosto dele.
— Aqui dentro! — gritei o mais alto que pude. — Por favor, rápido.
Dois policiais correram pela porta da frente que eu deixei aberta.
Sterling tentou sorrir, ajeitar a gravata, invocar a autoridade fria que usava comigo apenas alguns dias antes. Não funcionou.
— Senhor, precisamos que saia conosco — disse um dos oficiais.
— Este é um assunto privado — começou Sterling, mas o segundo policial já apontava para os livros contábeis em meus braços.
— Senhora, esses são os documentos que você mencionou na ligação?
— São — disse. — E há muito mais.
Sterling olhou para mim enquanto o conduziam à porta. A arrogância havia sumido. O que restava era um homem pequeno e assustado que finalmente ficou sem espaço para manobrar.
— Você vai se arrepender disso — disse ele.
— Não — respondi. — Eu realmente não vou.
Fiquei na porta da mansão e senti, pela primeira vez em duas semanas, que podia respirar.
A chave do chalé estava quente na minha mão, e Graham ainda, de alguma forma, estava cuidando de mim.
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