Ele nem parecia envergonhado.
“Não é o que você está pensando.”
“Tem corações, Eric. Tem nomes de hotéis. Tem foto dela na sua bolsa do laptop. Qual parte eu estou interpretando errado?”
Ele cruzou os braços. “Com a Clover, eu me sinto vivo de novo.”
“Eu mantive sua vida funcionando,” eu disse. “Desculpa se isso não parecia emocionante o bastante.”
“Você parou de cuidar de você.”
“Não,” eu disse. “Eu parei de ter tempo pra fingir que não estava me afogando.”
Ele fez as malas na manhã seguinte.
Quinze anos terminaram com uma mala na porta e Hazel chorando na escada.
O divórcio trouxe advogados, contas e um cronograma de guarda que nos transformou em um calendário em vez de uma família.
Tiara tinha quatorze anos e Hazel doze, então a cada dois fins de semana elas faziam as malas para a casa do pai.
No primeiro domingo em que Hazel voltou, ela quase não falou.
Eu deixei a mochila na escada. “Está com fome?”
“Não.”
“Aconteceu alguma coisa?”
Ela deu de ombros. “O pai disse que vocês dois só se afastaram.”
Eu mantive o rosto neutro. “Foi isso que ele disse?”
“Ele disse que você parou de se esforçar.”
As palavras bateram mais forte do que eu queria.
Antes que eu pudesse responder, Tiara entrou da sala.
“Engraçado,” ela disse. “A mamãe se esforçava por todo mundo.”
“Tiara,” eu avisei baixinho.
“Não, mãe.” Ela olhou para Hazel. “Ela fazia lanche, trabalhava o dia todo, cozinhava, ajudava com lição e ainda lembrava de papelão às nove da noite. Ele chama isso de complicado porque não quer chamar de egoísmo.”
Os olhos da Hazel encheram de lágrimas. “Eu não sei no que acreditar.”
Eu sentei ao lado dela na escada.
“Então não se apresse,” eu disse. “Você pode amar seu pai e ainda estar confusa com o que ele fez.”
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