Meu marido foi pescar com o irmão, mas nunca mais voltou. Um ano depois, minha filha mais velha me disse: "Encontrei a jaqueta do papai na casa do meu tio. Olha o que tinha no bolso!"

Ele bateu na minha porta com dois policiais atrás dele. No momento em que vi seu rosto, soube que algo terrível tinha acontecido.

“Gabriel desapareceu”, disse ele.

"Ele levantou cedo para ir pescar enquanto eu ainda dormia. A tempestade chegou por volta das sete. Muito rápido. Eu não conseguia enxergar a três metros além da varanda. Quando fui ver como ele estava, ele tinha sumido."

Meu corpo inteiro ficou gelado.

A polícia vasculhou a mata, a margem do lago e as trilhas lamacentas entre a cabana e o cais. Mergulhadores entraram na água. Voluntários percorreram as trilhas. Cães seguiram o rastro até que a chuva o dissipou.

Eles não encontraram nada.

Nenhum corpo. Nenhum barco virado. Nenhum tecido rasgado. Nenhuma carteira. Nenhum sangue. Absolutamente nada, o que de alguma forma parecia mais cruel do que encontrar alguma coisa.

Com o tempo, a explicação se consolidou na versão com a qual todos podiam conviver. Gabriel provavelmente havia saído antes do amanhecer, sido surpreendido pela tempestade, escorregado perto da água e sido arrastado pela correnteza.

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