PARTE 1
Santiago Morales teve 17 anos quando se enterrou de que iba a ser papai.
Vivia em Ecatepec, iba na preparação, toca a guitarra em uma banda de bairro e soñaba com estudar arquitetura na UNAM. Mas uma tarde, sua novia Brenda caiu com o rosto branco, as mãos tremendo e uma tentativa de constrangimento escondida na mochila.
O sentimento é que o mundo caiu.
Não porque não quis o bebê, mas porque entendeu o que venia: pañales, desvelos, dinero, miradas de juicio, adultos dizendo que haviam arruinado sua vida.
Brenda lloró por semanas.
Decía que não estabeleceu uma lista, que seus papais la iban a matar, que ela queria ir a Puebla para estudar o design, que uma niña a esse pai era uma condena.
Santiago também tinha medo.
Mas quando Valeria nasceu, chiquita, roja, com os punhos cerrados e os olhos enormes, foi a carga como se o hospital completo tivesse desaparecido.
Desde aquele dia não houve conversa de sonhos rotos.
Eu só tinha leite, vacinas, aluguel, uniformes e horários.
Terminou a preparação trabalhando em uma refaccionaria pelas manhãs e repartindo comida pelas noites. Aprendi como mudar painéis assistindo vídeos em um celular estrelado. Aprendi a aprender exercícios no espelho do banheiro, com Valeria chorando porque ele jalaba o cabelo sem querer.
Brenda aguantó 1 ano.
Depois da formatura, deixei uma bolsa com a roupa da menina na porta de Santiago e disse algo que ele poderia esquecer:
—Você me hija está saindo da vida. Eu não nasci para isso.
Se fue a la universidad.
Nunca voltou.
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