Sempre achei que sabia cada detalhe da vida da minha filha.
Depois de perdê-la, essa certeza pareceu ainda mais forte. Passei horas repassando memórias, conversas e momentos compartilhados, convencida de que não havia nada sobre ela que eu já não soubesse.
Mas ela estava completamente enganada.
E tudo começou com uma ligação que quase decidi não atender.
A dor que mudou tudo
Não existe dor comparável à dor de perder um filho.
Quando minha filha Valentina faleceu aos treze anos após uma longa doença, eu não perdi apenas a pessoa que eu mais amava no mundo. Senti como se uma parte de mim também tivesse desaparecido.
Desde então, minha vida se dividiu em duas fases.
Antes da doença.
E depois dela.
Nada voltou a ser como antes.
Deixei o quarto dele exatamente como estava.
A jaqueta cinza ainda estava pendurada na cadeira da escrivaninha.
Seus tênis rosa estavam perto da porta, inclinados para dentro, como se ela os tivesse deixado ali ao voltar da escola.
Às vezes, eu me pegava imaginando que ele apareceria de repente e diria:
—Mãe, promete que não vai ficar brava, mas…
E então ele se lembrou de que aquele momento nunca mais se repetiria.
Os dias começaram a se misturar uns com os outros.
Parei de olhar as horas.
Parei de responder às mensagens.
Parei de atender ligações.
A vida continuava lá fora, mas dentro de mim tudo permanecia congelado.
Até aquela manhã de terça-feira.
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