"Olá, vovô."
A palavra soava como um roubo.
Mas Walter pegou minha mão e disse carinhosamente: "Entre".
Essa primeira visita durou quatro horas.
Walter contava histórias sobre seu serviço militar, o conserto de caminhões, suas pescarias e sua esposa, Margaret, a quem amava há mais de cinquenta anos.
Sempre que ele a mencionava, sua voz se suavizava.
"Margaret conseguia fazer qualquer um rir", disse ele. "Até eu."
E por um tempo, esqueci que estava atuando.
PARTE 2
As visitas de domingo continuaram.
As semanas se transformaram em meses.
Aconteceu algo inesperado.
Walter deixou de se sentir motivado pelo trabalho.
Ele se tornou alguém que eu amei.
Ela se lembrava de tudo que eu lhe contava: minhas provas, os longos turnos da minha mãe, os tratamentos do Noah e as pequenas preocupações que eu tentava minimizar com um sorriso.
Certa tarde, ele perguntou: "Como está seu irmão?"
Fiquei paralisado por um segundo.
Então percebi que já tinha lhe contado tudo.
Não porque eu fosse obrigado.
Porque eu confiava nele.
"Ela está tendo uma semana difícil", admiti.
Walter apertou minha mão.
"Ele tem sorte de ter você."
Essas cinco palavras quase me destruíram.
Com o tempo, comecei a visitá-lo mesmo quando não estava sendo paga. Eu levava biscoitos. Sentava-me com ele na varanda. Às vezes, conversávamos por horas. Outras vezes, simplesmente ouvíamos os pássaros voando entre as árvores.
A mentira desapareceu.
A conexão tornou-se real.
Eu não estava substituindo a neta dele.
Ele não estava substituindo meu avô.
Mas, de alguma forma, nos tornamos uma família.
Então, num domingo, cheguei e senti que algo estava diferente.
Walter parecia mais fraco. Sua respiração estava mais lenta. Sua voz tremia quando me cumprimentou.
"Você está bem?", perguntei a ele.
Ele deu uma risadinha.
“Envelhecer não é para covardes.”
Eu sorri, mas o medo me dominou.
Nos meses seguintes, sua saúde deteriorou-se rapidamente. As visitas ao hospital tornaram-se frequentes. Caminhar tornou-se difícil, depois impossível.
Mesmo assim, todos os domingos eu queria que ela estivesse lá.
Certa tarde, enquanto eu arrumava o cobertor para ele, ele pegou minha mão.
"Você sabe de alguma coisa?", disse ele em voz baixa.
-Que?
—Você mudou meus últimos anos.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
"Não, Walter", sussurrei. "Você trocou o meu."
Ela sorriu.
Nenhum dos dois precisou dizer mais nada.
Três semanas depois, Linda ligou.
Assim que ouvi a voz dele, eu soube.
—Ele se foi.
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