Eu nunca imaginei que Harold estava jogando um jogo longo, e eu já estava preso nele.
Semanas se passaram.
Connie estava ficando mais forte. Começara a fisioterapia, segurando as barras com nós brancos, xingando sob a respiração até começar a rir em vez de chorar.
Lily vinha comigo na maioria dos fins de semana agora.
Ela subia na cama de Connie com uma caixa de Monopoly amassada e nos comandava em cada jogada.
"Você sempre trapaceia, papai," disse Lily, franzindo os olhos.
"Eu não trapaceio."
"Ele absolutamente trapaceia," sussurrou Connie para ela, e as duas caíram em risadas.
Eu as observei e senti algo quente se acomodar no meu peito.
Então senti o frio logo atrás, porque tudo estava construído sobre uma mentira, e eu sabia que se Connie descobrisse, tudo seria arruinado.
Então Harold morreu.
Aconteceu que ele estava doente há algum tempo, mas não contou a ninguém.
Dirigi até o funeral com uma gravata preta emprestada. Fiquei na última fila, atrás de pessoas que eu não conhecia, vendo Connie na cadeira de rodas ao lado do caixão, com o rosto de pedra.
Ela não me viu, e eu não fui até ela.
E ali, na luz fria pelas janelas da capela, algo me atingiu tão forte que me tirou o fôlego.
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