Eu não conseguia mais dormir no nosso quarto.
Em vez disso, passei minhas noites no sofá com a televisão ligada até de manhã.
Meus dias se tornaram uma rotina de ir trabalhar, voltar para casa, comer comida para viagem e ficar olhando para o nada.
As pessoas costumavam me dizer: "Você é tão forte".
A verdade é que não. Eu apenas continuava respirando.
Cerca de um ano após o acidente, eu estava sentado naquele mesmo sofá às duas da manhã, navegando distraidamente pelo Facebook.
Atualizações aleatórias. Debates políticos. Vídeos de animais de estimação. Fotos de férias.
Então, uma publicação compartilhada de uma página de notícias local chamou minha atenção.
“Quatro irmãos precisam de um lar.”
A publicação continha um link para uma organização de proteção à infância e incluía uma fotografia de quatro crianças amontoadas em um banco.
A legenda dizia:
“Quatro irmãos precisam urgentemente de um lar. Têm 3, 5, 7 e 9 anos. Ambos os pais são falecidos. Não há familiares próximos que possam cuidar dos quatro. Se não encontrarmos um lar para eles, provavelmente serão separados e colocados em diferentes famílias adotivas. Precisamos urgentemente de alguém disposto a mantê-los juntos.”
“Provavelmente serão separados.”
Essas palavras me atingiram em cheio.
Ampliei a foto.
O menino mais velho tinha um braço em volta da menina ao lado dele, num gesto protetor.
O menino mais novo parecia estar se mexendo no momento em que a foto foi tirada.
A menina mais nova abraçava com força um ursinho de pelúcia enquanto se encostava no irmão.
Nenhum deles parecia esperançoso.
Pareciam crianças se preparando para más notícias.
Percorri os comentários.
"Que triste."
"Compartilhado."
“Orando por eles.”
Ninguém disse: "Nós os aceitaremos".
Coloquei meu celular de lado.
Então, peguei-o de volta.
Eu sabia exatamente como era a sensação de sair de um hospital se sentindo completamente sozinha.
Aquelas crianças já haviam perdido os pais.
Agora eles também corriam o risco de se perderem um ao outro.
Quase não dormi naquela noite.
Toda vez que fecho os olhos, imagino quatro crianças sentadas em algum escritório, de mãos dadas, esperando para saber qual delas será levada.
Na manhã seguinte, a publicação ainda estava aberta no meu celular.
Um número de telefone estava localizado na parte inferior.
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
