“Nunca esqueci”, disse ele. “Nem por um segundo.”
Ela soltou uma risada trêmula, com a sapatilha de balé ainda pressionada contra o peito.
Pela primeira vez desde o acidente, tudo voltou à sua memória.
O antigo teatro erguia-se sob um céu cinza suave, silencioso, mas repleto de vida nova. Antes esquecido, suas paredes estavam sendo restauradas. Pintura fresca. Vigas novas. Os ecos de risos retornando aos seus corredores. Embora ainda não estivesse oficialmente aberto, já parecia vivo novamente.
Do outro lado da rua, Ella permanecia imóvel, agarrando a sapatilha de balé gasta contra o peito.
Não era apenas uma lembrança.
Era um símbolo do que havia sido quebrado e do que havia sido curado.
Ela entrou.
O cheiro de serragem e verniz fresco a recebeu enquanto caminhava pelo corredor. Operários acenaram para ela com um reconhecimento silencioso.
No final, havia um grande estúdio, com a luz entrando pelas altas janelas.
Ela entrou e parou.
Um mural cobria a parede do fundo.
Uma menina com um collant simples dançava em pleno giro, os cabelos dourados ao vento, cercada por crianças risonhas.
A imagem era um reflexo do passado.
Seu passado.
Aquele dia no orfanato, congelado em cores.
Ella levou a mão à boca, os olhos cheios de lágrimas.
"Você se lembrou", sussurrou.
Passos soaram atrás dela.
Ela se virou.
Damian estava parado na porta, as mãos nos bolsos, a expressão incerta.
"Eu não sabia se você viria", disse ele.
Ela caminhou lentamente em sua direção, então, de repente, correu e o abraçou por trás, encostando a bochecha em suas costas.
"Desta vez", sussurrou ela, com a voz trêmula, "não estou aqui fingindo. Estou aqui porque te amo."
Ele se virou para encará-la, atônito.
A máscara que ele usava com tanta frequência caiu. Seus olhos brilharam de emoção.
"Eu estava guardando isso", disse ele, levando a mão ao bolso e tirando uma pequena caixa de veludo.
Dentro havia um anel simples e atemporal.
Ele pegou a mão dela e deslizou o anel em seu dedo.
"Você cumpriu sua promessa naquele dia", disse ele suavemente. "Agora é a minha vez."
Ela assentiu, sorrindo em meio às lágrimas.
Algumas semanas depois, a luz do sol invadiu aquele mesmo estúdio, agora transformado em um local para casamento. Não havia fotógrafos. Nem imprensa.
Apenas amor.
Seus convidados eram crianças de abrigos, voluntários e velhos amigos que estiveram ao lado deles em silêncio, oferecendo apoio.
Ella usava um vestido branco que fluía como uma melodia sussurrada. Seus cabelos dourados caíam soltos sobre os ombros. Nos pés, sapatilhas de balé novas.
Damian esperava na frente, de terno cinza, prendendo a respiração ao vê-la.
Ela caminhou lentamente em sua direção, cada passo mais leve que o anterior.
Quando se encontraram, ele segurou suas mãos, a voz trêmula.
“De um menino que ninguém via, você me deu uma razão para viver. Hoje, prometo te amar tão profundamente quanto você amou um menino que não tinha nada.”
Lágrimas rolaram por suas bochechas.
E pelas dele.
Os aplausos que se seguiram não foram altos, mas genuínos.
Não dos poderosos.
Daqueles que melhor compreendiam o amor.
Um ano se passou.
O centro prosperou. Música, dança e alegria preenchiam suas paredes. Ella dava aulas de balé todas as semanas, ajudando meninas a encontrar força através da graça. Damian ainda liderava reuniões de diretoria e fechava negócios bilionários, mas sempre voltava para o estúdio.
Para ela.
Eles construíram mais do que uma escola.
Construíram um santuário.
Certa tarde, alguém tirou uma fotografia. Ella estava sentada ao lado de Damian, a cabeça repousando suavemente em seu ombro. Em seu colo estava o velho balé.
Lábios gastos, desgastados e cheios de significado.
A foto agora está pendurada no hall de entrada.
Abaixo dela, gravadas em dourado, estão as palavras:
Aja como se me amasse.
Não.
Você sempre amou.
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