E o pai dele, o homem quieto e modesto que ela havia desprezado e insultado, era o rei.
O rei que acabara de abdicar do trono e levara todo o reino consigo.
A vida que eles haviam construído sobre os meus alicerces estava condenada.
A demolição estava completa.
Tudo o que restava era o silêncio e o trabalho lento e árduo de remover os escombros.
A batida na porta aconteceu dois dias depois, quando o crepúsculo começava a cair sobre meu bairro tranquilo.
Não era a batida alta e arrogante de um entregador, nem o toque educado de um vizinho.
Era um som hesitante, incerto.
O som de pessoas que perderam o direito de presumir que seriam bem-vindas.
Abri a porta e os encontrei parados na minha pequena varanda, suas silhuetas recortadas contra a luz crepuscular.
Leão e Amélia.
As roupas caras do casamento desapareceram, substituídas por calças jeans e suéteres amassados e com aspecto de quem dormiu em casa. A arrogância havia evaporado.
Em seu lugar, havia um cansaço bruto e desesperado.
Os olhos de Amelia estavam vermelhos e sua maquiagem perfeita estava borrada.
Leo encarava o tapete de boas-vindas, incapaz de encontrar meu olhar.
“Podemos…” Leo começou, a voz quase num sussurro. “Podemos entrar?”
Sem dizer uma palavra, afastei-me e deixei-os entrar na minha pequena e silenciosa casa.
Era um mundo completamente diferente da vida que acabavam de perder.
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