“Eu a amava. Dei-lhe tudo.”
“Tudo, exceto espaço para te decepcionar.”
John ficou parado na porta, em silêncio.
Virei-me para ele. "Diga a ele que eu só queria protegê-la."
John olhou para as cartas.
“Camila”, disse ele em voz baixa, “às vezes você não dá espaço para as pessoas serem elas mesmas”.
Liam enxugou o rosto com a manga.
“Vocês dois transformaram esta casa num tribunal”, disse ele. “Mamãe julgava. Papai negociava. E Livia e eu esperávamos pela sentença.”
Durante muito tempo, ninguém falou.
Finalmente, peguei a carta de Livia.
“Onde ela está?”
Liam balançou a cabeça negativamente.
“Não. Não se você for lá para arrastá-la para casa.”
“Preciso ver minha filha.”
“Então não chegue como se fosse o motivo da partida dela.”
Eu o odiei por ter dito isso.
E eu o amei por ter dito isso.
Sentei-me ali, entre as cartas, e fiz a primeira pergunta sincera que fiz em quase um ano.
“Diga-me como não assustá-la.”
A voz de Liam suavizou.
“Comece por não fazer da primeira frase algo sobre você.”
Na manhã seguinte, ele me deu o endereço.
John dirigiu. Eu segurei a carta de Livia durante todo o trajeto.
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