O envelope
Não me lembro claramente de como cheguei à escola.
Só me lembro de caminhar por aqueles corredores silenciosos com a sensação de que cada passo pesava uma tonelada.
A professora Elena e o orientador escolar, Carlos, estavam me esperando ao lado da fileira de armários.
Ambos pareciam animados.
Quando me aproximei, Elena estendeu-me um envelope.
Minhas mãos começaram a tremer.
Na frente estava escrito com a letra inconfundível da minha filha:
PARA A MAMÃE
Por um instante, não consegui abri-lo.
Finalmente, respirei fundo e levantei a lapela.
Dentro encontrei um bilhete.
Nada mais.
Dizia:
"Escondi uma promessa que te fiz. Fiz isso porque te amo."
Abaixo estava um endereço.
E um número de unidade.
Nada fazia sentido.
Olhei para cima, confuso.
-Eu não entendo.
A professora Elena colocou a mão no bolso e depositou uma pequena chave na minha palma.
—Valentina me pediu para guardar isto.
Eu a observei sem entender.
-O que é?
—Há alguns meses, ela me contou sobre um projeto muito importante para ela. Ela me pediu que, se o que ela temia acontecesse, eu lhe entregasse esta chave junto com a carta.
Senti um arrepio.
—E você aceitou?
—Porque eu vi o quanto isso significava para ela. Ela me garantiu que um dia você entenderia.
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