Então, ela lhe contou a verdade.
“Sim”, disse ela. “Mas não como sua enfermeira. Não como seu segredo. Não como algo que você possui por gratidão.”
A expressão de Nicholas tornou-se solene.
“Não.”
“E não no seu mundo.”
Ele olhou para as próprias mãos.
“Meu mundo está acabando.”
“Então construa um melhor.”
Ele assentiu uma vez.
“Gostaria de tentar.”
A primavera chegou lentamente a Chicago.
Nicholas firmou um acordo de cooperação federal que desmantelou o que restava da rede criminosa Castiglione. Ele perdeu propriedades, rotas de transporte, contas e nomes. O lado legal de sua empresa sobreviveu, desmantelado e colocado sob supervisão independente.
Os jornais chamaram isso de a queda de um príncipe do crime.
Nicholas chamou isso de respirar.
Matteo desapareceu completamente das manchetes. Clara descobriu mais tarde que ele havia aceitado um emprego legítimo de segurança, gerenciando equipes de proteção para testemunhas. Ele lhe enviou uma mensagem de texto de um número não listado.
Ele é teimoso, mas está andando. Obrigada por trazê-lo de volta.
Clara salvou a mensagem.
Seis meses depois da noite em que Nicholas acordou, Clara o encontrou em um pequeno parque público perto do Zoológico de Lincoln Park.
Não havia guarda-costas por perto. Ou, se havia, eram discretos o suficiente para que ela não os visse.
Nicholas estava ao lado de um banco, apoiado em uma bengala. Ele usava um casaco azul-marinho em vez de preto. Seu cabelo havia crescido. A cicatriz em sua têmpora havia desbotado. linha pálida.
Em sua mão havia um livro.
Um exemplar novo de O Conde de Monte Cristo.
“Comprei um sem manchas de café”, disse ele.
“Que pena. O meu tinha personalidade.”
“Eu me lembro.”
Clara ergueu uma sobrancelha.
“Você se lembra de manchas de café?”
“Eu me lembro de tudo.”
As palavras eram simples, mas carregavam o peso daquelas noites. A voz dela na escuridão. A mente dele presa. A longa estrada de volta.
Eles se sentaram no banco enquanto famílias passavam, crianças riam e Chicago se movia ao redor deles como qualquer cidade comum em qualquer dia comum.
Por um tempo, Clara leu em voz alta.
Não porque ele precisasse ser salvo desta vez.
Não porque o silêncio a assustasse.
Mas porque algumas histórias mereciam ser terminadas à luz do dia.
Quando ela chegou à última página, Nicholas ouviu com a cabeça baixa.
“Toda a sabedoria humana está contida nestas duas palavras”, leu Clara suavemente. “Espere e tenha esperança.”
Ela fechou o livro.
Nicholas olhou para ela.
"Eu esperei", disse ele.
Clara sorriu.
"E agora?"
Ele respirou fundo, com cuidado.
"Agora, espero."
Desta vez, ele não segurou o pulso dela.
Simplesmente ofereceu a mão, aberta e firme, sem pedir nada que não tivesse conquistado.
Clara olhou para a mão dele, depois para ele.
E, lenta e livremente, colocou a mão na dele.
FIM
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