Abandonei tudo para criar os seis filhos da minha falecida noiva. Dez anos depois, o filho mais velho dela veio até mim e disse: "Pai, acho que você merece saber a verdade sobre a mamãe."

Dois dias depois, Matilda e William chegaram de carro para passar a tarde.

Da porta da cozinha, observei-a entrar na sala, e uma a uma as crianças olharam para ela. A mais nova ficou completamente imóvel por um instante. Depois, atravessou a sala e abraçou Matilda sem dizer uma palavra, e Matilda retribuiu o abraço como se a estivesse esperando há tanto tempo.

Tive que dar meia-volta.

Noah me encontrou parada perto da janela da cozinha, olhando para o quintal onde Claire costumava balançar as crianças na corda.

"Pai, você está bem?", perguntou ele.

“Chego aí em breve, filho.”

Ele ficou ao meu lado em silêncio por um tempo, e essa é uma das coisas que eu sempre mais gostei nele.

Matilda não é Claire. Ela nunca será Claire. Mas carrega partes dela dentro de si, como costuma acontecer com gêmeos.

Há dez anos, o mundo declarou Claire morta. Todos os outros aceitaram. Eu também, quase sempre.

Mas nas noites tranquilas, quando a casa está escura e o vento sopra do mar, ainda me surpreendo ao ouvir a porta da frente. Ainda tenho esperança, mesmo depois de todo esse tempo, de ouvir a voz dela no corredor.

Uma parte de mim sempre será assim.

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