—Thomas Whitaker. Ele investiu na minha primeira empresa de transporte marítimo quando todos diziam que eu era muito jovem e teimoso. Certa vez, ele me disse que sua filha era a pessoa mais corajosa que ele conhecia.
Clara sentiu um nó na garganta.
Seu pai havia falecido sete anos antes. Richard quase nunca falava dele, exceto quando mencionava a herança que ajudara a manter a fundação ativa em seus primeiros anos.
"Ele disse isso mesmo?", ela sussurrou.
O olhar de Alexander suavizou-se. —Mais de uma vez.
A sala ficou embaçada.
Durante meses, Clara sentiu-se encolher cada vez mais. A frieza de Richard agiu como água sobre a pedra, corroendo-a lentamente, suavizando cada aresta até que ela se tornou quase irreconhecível. Ele faltou a consultas médicas, esqueceu-se de jantares, ignorou suas preocupações e, em seguida, puniu-a com o silêncio sempre que ela ousava perguntar se havia outra mulher.
E agora, aquele estranho, aquele homem solene de casaco escuro, havia lhe devolvido uma versão de si mesma que seu pai conhecera.
"Seu marido é Richard Donovan", disse Alexander.
Não era uma pergunta.
O rosto de Clara se contraiu de vergonha. "Você viu?"
—Já vi o suficiente.
—Ela a trouxe para o baile de gala da nossa fundação.
-Eu sei.
A honestidade da resposta dela foi direta e franca. Ela não fez nenhuma tentativa de amenizar o golpe.
Clara olhou fixamente para o monitor, para a tira de papel que se soltou da bandeja da máquina, a pequena confirmação da vida que crescia dentro dela.
"Ele me disse para não o envergonhar", disse ela.
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