Uma das minhas damas de honra sussurrou: "Ligue para a segurança. Ligue para a polícia. Ligue para Bennett."
“Não”, eu disse.
Levantei a fantasia. Poliéster barato. Botões amarelo-vivo. Mangas largas demais. A humilhação fora planejada com precisão teatral. Elise queria que eu desaparecesse, que desmoronasse, que lhe desse uma história para contar por anos.
Pobre Clara. Tão instável. Tão dramática. Nunca se encaixou na nossa família.
O maxilar do meu pai se contraiu. "Querida, diga-me o que você quer."
Olhei para ele pelo espelho. Depois, olhei para a pequena pasta preta guardada dentro da minha bolsa de noiva — aquela que Elise havia desdenhado, chamando-a de "uma agenda bonitinha".
Dentro da caixa foram encontradas cópias autenticadas, extratos bancários, e-mails, faturas de fornecedores e uma escritura de propriedade assinada.
Elise havia pegado o vestido errado da mulher errada.
"Feche o zíper", eu disse.
Minhas damas de honra ficaram me encarando.
Eu vesti a fantasia de palhaço.
O tecido roçava na minha pele. Os sapatos eram grandes demais, então continuei usando meus saltos brancos. Prendi o cabelo sob o chapeuzinho ridículo que Elise tinha deixado para trás. Depois, coloquei o nariz vermelho na palma da mão, enrolei os dedos em volta dele e sorri.
Os olhos do meu pai brilhavam, mas sua voz permaneceu firme.
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